Se fôssemos ingleses ou parlamentaristas, o Lula já teria caído.

Se fôssemos ingleses ou parlamentaristas, o Lula já teria caído.

Explicação da ascensão e queda de Liz Truss como primeira ministra do Reino Unido.

Liz Truss caiu como primeira ministra do Reino Unido devido a uma combinação de fatores políticos, econômicos e de liderança. Aqui estão as principais razões:

  1. Plano Econômico Mal Recebido

    Liz Truss e seu então Ministro das Finanças, Kwasi Kwarteng, anunciaram um “mini orçamento” em setembro de 2022 que incluía cortes significativos de impostos, especialmente para os mais ricos, sem apresentar um plano claro de como financiar essas medidas. A proposta gerou forte reação negativa nos mercados financeiros, resultando em uma queda acentuada na libra esterlina e no aumento dos juros dos títulos do governo britânico (Gilts).

  2. Perda de Confiança nos Mercados
    O plano foi percebido como fiscalmente irresponsável, especialmente em um momento de alta inflação e incertezas econômicas globais. O Banco da Inglaterra foi forçado a intervir para estabilizar o mercado de títulos e proteger fundos de pensão, o que evidenciou ainda mais a falta de confiança no governo de Truss.

  3. Falta de Apoio Político
    Dentro do Partido Conservador, muitos parlamentares ficaram insatisfeitos com as decisões econômicas de Truss, que contradiziam promessas feitas no manifesto do partido. Sua liderança foi rapidamente enfraquecida, com demissões e renúncias de aliados importantes, incluindo Kwasi Kwarteng, substituído por Jeremy Hunt.

  4. Crise de Liderança
    Truss foi criticada por sua incapacidade de comunicar e defender sua visão econômica, agravando a percepção de falta de preparo para lidar com as crises. Ela recuou em várias das medidas anunciadas, o que minou ainda mais sua credibilidade como líder.

  5. Instabilidade no Partido Conservador
    O Partido Conservador estava dividido e sob intensa pressão após anos de instabilidade política, incluindo o mandato de Boris Johnson. A queda de Truss foi vista como uma tentativa do partido de conter os danos antes das próximas eleições gerais.

Resultado:

Liz Truss anunciou sua renúncia em outubro de 2022, após apenas 44 dias no cargo, tornando-se a primeira ministra com o mandato mais curto da história do Reino Unido. Sua queda simbolizou um colapso da confiança em sua liderança e em sua abordagem econômica, deixando uma tarefa difícil para seu sucessor, Rishi Sunak, que herdou uma economia fragilizada e um partido dividido.

22/09/2022. London, United Kingdom. Official Portrait of Prime Minister Liz Truss in No10 Downing Street.
Picture by Simon Dawson / No 10 Downing Street


Linha do Tempo da Queda de Liz Truss

6 de setembro de 2022: Posse como primeira ministra
Liz Truss é nomeada primeira ministra pelo Rei Charles III após vencer a eleição interna do Partido Conservador, derrotando Rishi Sunak. Promete implementar políticas de cortes de impostos e crescimento econômico, alinhadas à sua visão de “Trussnomics”.

8 de setembro de 2022: Morte da Rainha Elizabeth II
Apenas dois dias após a posse, a Rainha Elizabeth II falece, mergulhando o país em luto nacional. As atividades políticas são adiadas, e Liz Truss faz um discurso de homenagem à monarca.

23 de setembro de 2022: Anúncio do “Mini Orçamento”
O Ministro das Finanças, Kwasi Kwarteng, apresenta um pacote econômico que inclui: cortes de impostos para os mais ricos, cancelamento do aumento de impostos sobre empresas e isenção do teto para bônus de banqueiros. O plano não inclui previsão de custos nem consulta ao Escritório de Responsabilidade Orçamentária (OBR), o que gera incerteza nos mercados financeiros.

26 de setembro de 2022: Crise nos Mercados Financeiros
A libra esterlina cai para uma mínima histórica em relação ao dólar. Os juros dos títulos do governo britânico disparam, aumentando os custos de financiamento. Fundos de pensão enfrentam risco de colapso devido à volatilidade nos mercados.

28 de setembro de 2022: Intervenção do Banco da Inglaterra
O Banco da Inglaterra intervém no mercado de títulos, comprando Gilts para estabilizar o sistema financeiro. A medida reforça a percepção de que o governo de Truss perdeu o controle da economia.

3 de outubro de 2022: Recuo no Corte de Impostos para os Mais Ricos
Liz Truss e Kwasi Kwarteng voltam atrás na proposta de eliminar a alíquota de 45% do imposto de renda para os mais ricos, após forte pressão pública e de parlamentares conservadores. O recuo é visto como uma humilhação para o governo.

14 de outubro de 2022: Demissão de Kwasi Kwarteng
Kwasi Kwarteng é demitido como Ministro das Finanças, tornando-se o segundo a ocupar o cargo em menos de um ano. Jeremy Hunt é nomeado para o cargo e rapidamente desfaz a maior parte das políticas econômicas de Truss.

17 de outubro de 2022: Jeremy Hunt Reverte o Mini Orçamento
Jeremy Hunt anuncia o cancelamento de quase todas as medidas econômicas propostas no “mini orçamento”, incluindo os cortes de impostos e os subsídios de energia a longo prazo. Truss perde ainda mais credibilidade política, com Hunt assumindo, na prática, o controle da política econômica.

19 de outubro de 2022:Caos no Parlamento
Durante uma votação sobre fracking, surgem relatos de que parlamentares conservadores foram coagidos a apoiar o governo. A crise de liderança se aprofunda, com críticas à gestão de Truss.

20 de outubro de 2022: Renúncia
Após apenas 44 dias no cargo, Liz Truss anuncia sua renúncia como primeira ministra, tornando-se a chefe de governo com o mandato mais curto da história do Reino Unido.

25 de outubro de 2022: Rishi Sunak Assume o Cargo
Rishi Sunak é eleito líder do Partido Conservador e se torna o novo primeiro-ministro do Reino Unido.



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Este é um conteúdo Portofino Multi Family Office e não possui nenhuma intenção política ou partidária.

Esfera Brasil | Tarcísio será presidente em 2030, afirma Kassab

Esfera Brasil | Tarcísio será presidente em 2030, afirma Kassab

(Tempo de leitura: 5 minutos)

O que você precisa saber
Gilberto Kassab comentou sobre o cenário para as eleições de 2026 e também analisou o momento de sucessão no Congresso.


Por Esfera Brasil

Em nosso encontro com empresários na terça-feira, 19, Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD e secretário de Governo e Relações Institucionais de São Paulo, voltou sua fala principal ao governador Tarcísio de Freitas, a quem rasgou elogios. Kassab, que tem em seu currículo posições como prefeito de São Paulo e ministro de Estado, afirmou com veemência que “Tarcísio vai se eleger [presidente do Brasil] em 2030”. “E eu não vejo adversário”, acrescentou.

Líder do partido que mais fez prefeitos em 2024, Kassab é um notório cacique da política brasileira. Por seu conhecimento, recebeu perguntas sobre possíveis candidatos diante do cenário ainda nebuloso que se desenha para 2026. Na opinião dele, Tarcísio pode, mas não deve se lançar candidato à Presidência ainda — mesmo diante das incertezas de Lula.

“Ele tem uma pedrinha no caminho chamada ‘Bolsonaro’. Bolsonaro já avisou, nas entrevistas que ele dá, que é candidato de qualquer jeito e que o problema do Tarcísio é São Paulo”, disse. “Tarcísio, para ser candidato, precisa renunciar daqui a um ano. Como ele vai anunciar que vai renunciar com essa postura do Bolsonaro?”, complementou com uma pergunta.

Ainda sobre 2026, Kassab afirmou que, caso Lula e Tarcísio sejam os nomes do pleito, é possível que o PSD não apoie nenhum dos dois e lance um terceiro candidato. “O objetivo do PSD sempre será ter candidato próprio”.

Sucessão no Congresso

O presidente do PSD não vê Lula desgastado no Congresso, pelo contrário: acredita que a escolha de Hugo Motta como principal candidato à sucessão de Arthur Lira na presidência da Câmara só aconteceu porque houve o apoio de Lula.

“Quem está fazendo o Hugo Motta é o Lula. Porque, se Lula apoiasse Elmar [Nascimento], Elmar estaria eleito. Se Lula apoiasse Antonio Brito, Antonio Brito estaria eleito. Então Hugo Motta, com certeza, não vai criar nenhum problema para Lula”, avaliou. Quanto à sucessão no Senado, que tem Davi Alcolumbre como principal nome, Kassab acredita que também há a interferência de Lula, mesmo que, nesse caso, a estratégia tenha sido não fortalecer qualquer alternativa a Alcolumbre.

Na opinião de Kassab, Lula ainda tem força e pode ser reeleito em 2026 — mas isso dependeria de ajustes na economia. “Lula vai ter que definir agora qual é a dele, qual é o caminho dele. É o populismo, é o gasto, ou ele vai querer um país com equilíbrio fiscal e vai se dirigir mais ao centro?”, indagou. “E se ele fizer um pacote razoável — eu torço para que faça —, sinalizando para o equilíbrio fiscal, eu acredito que ele não vai ter problemas no Congresso”.

Segundo declaração dada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, na segunda-feira, 18, o tão aguardado pacote de cortes de gastos do governo está definido, mas seu anúncio ainda depende de retorno do Ministério da Defesa. Especialistas estimam que o pacote pode chegar a um valor entre R$ 30 bilhões e R$ 50 bilhões nos orçamentos de 2025 e 2026.

Governador?

Quando questionado se tentaria ser governador de São Paulo, cadeira hoje ocupada por Tarcísio, Kassab respondeu que acha ter preparo para o cargo. “Eu gostaria, sim, de ter essa oportunidade, seria o coroamento de uma carreira. Mas é uma vontade que não pode ser traduzida numa obstinação”, relatou.

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Esfera Brasil | Eleições municipais e os desafios nas relações institucionais

Esfera Brasil | Eleições municipais e os desafios nas relações institucionais

(Tempo de leitura: 5 minutos)

O que você precisa saber
O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, escreveu sobre como as eleições municipais de 2024 no Brasil tiveram uma alta taxa de reeleição, impulsionada pela estabilidade econômica e pelos repasses de recursos aos municípios.


Por Alexandre Padilha, ministro das Relações Institucionais

As eleições municipais deste ano tiveram como grande marca a maior taxa de reeleição – que chegou a 82% – desde a institucionalização do instrumento eleitoral no Brasil. 

Um dos aspectos que mais colaboram para este contexto é o cenário de estabilidade econômica. Medidas macroeconômicas sólidas, sobretudo as relacionadas à retomada do crescimento, a reduzidas taxas de desemprego e ao controle inflacionário, são retroalimentadas pelo setor produtivo, que, por sua vez, tem ampliado as margens de investimento referentes a receitas líquidas.

O ambiente institucional de respeito entre os Poderes e os entes federativos, ainda que possuam visões distintas em algumas questões, não pode ser ignorado. O avanço da reforma tributária no Congresso Nacional é talvez a expressão mais clara de uma verdadeira pactuação nas pautas prioritárias do Brasil. Mas não é a única.

Respeitar o pacto federativo garantiu que mesmo os menores municípios possuam meios para implementar programas e ações fundamentais para a população, com impactos positivos para os mandatários locais.

O terceiro mandato do presidente Lula assumiu seu papel municipalista e, em 1 ano e 10 meses de gestão, encaminhou aos municípios brasileiros cerca de R$ 67 bilhões a mais de recursos livres oriundos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (Fundeb).

O valor também se refere a uma economia na despesa com pessoal nos municípios em decorrência do acordo para desoneração da folha da previdência. Esses recursos injetados nos fundos municipais, um recurso livre para que o prefeito possa administrar seu município, ampliou os serviços e as contratações, permitindo aos gestores realizar entregas à população. Os repasses diretos reforçaram a máquina municipal em diversas cidades, que ainda foram beneficiadas pela retomada de investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC); do Minha Casa, Minha Vida; na saúde; e na educação.

As eleições de 2024 também foram um recado claro de que parte considerável da população rejeita figuras extremistas e que solidificaram suas imagens públicas e políticas por meio da disseminação de fake news. Grandes cidades como Rio de Janeiro, Recife, Fortaleza, Belo Horizonte e Belém sinalizaram de modo muito claro que rejeitam essas figuras que em nada têm contribuído para a civilidade e o debate democrático em nosso país.

Neste novo ciclo de mandatos nas prefeituras, queremos continuar levantando pontes entre a União e os municípios, reforçando a boa relação com prefeitos e prefeitas. Além de levar investimentos e garantir recursos, o governo apoiará a transição dos novos mandatários, tanto os eleitos pela primeira vez quanto os reeleitos.

O Manual de Transição Municipal fornece aos gestores municipais um roteiro para conduzir processos fundamentais para a administração de uma cidade. 

Os desafios são enormes, mas é na ponta, nos municípios, que as pessoas podem ver de forma mais concreta os resultados da política em sua vida. Continuaremos a atuar de modo diligente com a coisa pública, garantindo que a estabilidade institucional alcançada nesses quase dois anos de gestão seja um motor para a melhoria na vida de quem mais precisa em cada município deste País de dimensões continentais.

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Esfera Brasil | “É possível conciliar equilíbrio fiscal e investimento”, diz ministro

Esfera Brasil | “É possível conciliar equilíbrio fiscal e investimento”, diz ministro

(Tempo de leitura: 4 minutos)

O que você precisa saber
O ministro da Casa Civil, Rui Costa, participou de um encontro em São Paulo e comentou sobre o cumprimento da meta fiscal, reafirmando que é possível conciliar com grandes investimentos.


Por Esfera Brasil

Em encontro conosco em São Paulo, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, afirmou que a busca pelo cumprimento da meta fiscal e a realização de grandes investimentos são conciliáveis, principalmente com o apoio da iniciativa privada em parcerias e concessões. Ele acredita que o Brasil deve aproveitar o fortalecimento da imagem perante à comunidade internacional para atrair grandes projetos nos setores de infraestrutura e logística, sem deixar de lado o protagonismo na pauta energética.

“É possível conciliar o equilíbrio fiscal sem abrir mão do investimento. Governei a Bahia durante oito anos e terminei meu mandato fazendo o maior investimento, de 14% da Receita Corrente Líquida, em um estado que é a décima arrecadação do Brasil”, frisou.

Ainda que Costa tenha lançado um olhar otimista sobre o futuro e defendido mudanças no arcabouço legal existente, como a nova lei para parcerias público-privadas – que prevê a remoção de barreiras ao ambiente de negócios –, os desafios da agenda econômica se impõem. Na quarta-feira, 23, o Fundo Monetário Internacional (FMI) apresentou projeção apontando que o endividamento bruto do País deve passar de 97,6% do Produto Interno Bruto (PIB) nos próximos cinco anos. Na mesma apresentação, o FMI projeta resultado positivo para o resultado primário somente em 2027, com 0,1%, o que deve fazer crescer o apelo por corte de despesas nas próximas semanas.

Citando o auxílio emergencial concedido a moradores do Rio Grande do Sul devido às fortes chuvas de abril e também os gastos atuais com o Benefício de Prestação Continuada (BPC), que chegam a R$ 100 bilhões, Rui Costa reconheceu a importância das políticas de transferência de renda e disse que o governo tem trabalhado para aumentar a fiscalização e coibir fraudes nesses programas.

Competitividade no exterior

Ao afirmar que o Brasil é um player importante na produção de proteína animal, Rui Costa fez um chamado à classe produtiva. Na visão dele, o crescimento do País depende da participação de toda a sociedade, e o momento atual — em que as guerras no Leste Europeu e no Oriente Médio afetam cadeias de suprimentos em todo o planeta — favorece a presença de bens e serviços brasileiros no exterior.

Também na quarta-feira, ele esteve em um compromisso com representantes do governo suíço no qual que detalhou a carteira de investimentos e projetos de infraestrutura que constam no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

“O País não pertence aos políticos, pertence às pessoas que moram nele. Formadores de opinião e empresários têm responsabilidade acima da média do que as outras pessoas”, argumentou.

Segundo Rui Costa, parte da estratégia para impulsionar o crescimento nos próximos anos e promover melhorias na qualidade de vida da população e no ambiente de negócios consiste em divulgar o Brasil no exterior para atrair capital estrangeiro, principalmente em títulos da dívida pública, e provocar uma redução na taxa de juros, o que facilita o acesso ao crédito.

“Governos são muito curtos. Nenhuma nação do mundo conseguiu superar suas dificuldades fazendo planejamento de quatro anos, para um governo. O planejamento de Estado só se realiza quando há engajamento da sociedade”, afirmou. “O mundo todo está olhando para o Brasil. Todos querem investir no Brasil. E, aqui, não tem ninguém pedindo para abraçar o governo. É preciso abraçar o País”, acrescentou.

Somos parceiros da Esfera BR, uma iniciativa independente e apartidária que fomenta o pensamento e o diálogo sobre o Brasil, um think tank que reúne empresários, empreendedores e a classe produtiva. Todas as opiniões aqui apresentadas são dos participantes do evento. O nosso posicionamento nesta iniciativa é o de ouvir todos os lados, neutro e não partidário.

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Esfera Brasil | Eficiência como motor para o Brasil

Esfera Brasil | Eficiência como motor para o Brasil

(Tempo de leitura: 5 minutos)

O que você precisa saber:
O segundo dia do II Fórum Esfera Internacional reuniu nomes de importantes representantes brasileiros e italianos, assim como de empresários de diferentes setores da economia.


Por Esfera Brasil

Ainda que a política fiscal expansionista do atual governo enseje ponderações de agentes financeiros, o Brasil tem experimentado uma realidade de crescimento, com aumento do Produto Interno Bruto (PIB), queda do desemprego e controle inflacionário. Respaldado por um arranjo institucional perene, o futuro deve ser encarado com confiança e resiliência.

Leia mais: Confira como foi o primeiro dia do II Fórum Esfera Internacional

A receita para o sucesso passa pelo pensamento estratégico que valorize investimentos em inovação e uma agenda de Estado que considere o País para além das ideologias político-partidárias. No segundo dia do II Fórum Esfera Internacional, atores políticos, institucionais e empresários refletiram sobre o que deve nortear a busca por um denominador comum e unir a sociedade.

“Diminuiu de maneira substantiva a temperatura política do Brasil. Agora, as pessoas concordam ou discordam, e tivemos uma elevação da civilidade, o que é muito importante”, definiu o ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), em seu discurso de abertura.

Na direção certa

Entre os fatores que desestabilizam o cotidiano dos brasileiros está o avanço da insegurança, que se traduz anualmente em perdas de aproximadamente 4% do PIB para o setor privado.

Assim como o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, havia comentado no dia anterior, hoje o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, sinalizaram que a cooperação internacional é um mecanismo importante para combater crimes transnacionais.

O procurador nacional Antimáfia e Antiterrorismo da Itália, Giovanni Melillo, que esteve no mesmo painel, vê semelhança entre a realidade brasileira e o combate ao crime organizado em seu país, iniciado de maneira sistemática há três décadas. Segundo ele, após centenas de assassinatos orquestrados pelo poder paralelo, a resposta institucional veio por meio da coordenação entre poderes, atuação com foco regional e proteção de testemunhas e magistrados.

“Temos desafios em comum diante de nós. Organizações e democracia fazem parte dessa luta. As prisões mais importantes que fizemos foram feitas no Brasil. Chefes da máfia estavam em contato com organizações criminosas brasileiras”, lembrou.

Inovação

Uma vez endereçado o problema da criminalidade, o Brasil ganharia maiores perspectivas de parcerias internacionais ao direcionar esforços para melhorar o ambiente de inovação. De acordo com o presidente do Grupo NC, Carlos Sanchez, o trabalho realizado pelo Food and Drug Administration (FDA, agência reguladora ligada ao departamento de saúde dos EUA) é um dos bons exemplos a serem seguidos em termos de regulação.

“Não existe desenvolvimento de tecnologia no Brasil sem cientista. Nós temos que trazer os pesquisadores. A ciência precisa sair das universidades e ir para os produtos. É isso que vai dar competitividade”, acrescentou Sanchez durante painel que abordou, entre outros temas, como a indústria farmacêutica e o setor financeiro têm trabalhado para buscar soluções inovadoras que representem ganho de produtividade.

Na área econômica, tendo a tributação no destino e o fim da cumulatividade como premissas, a reforma tributária, que deve equiparar o regime de impostos do País ao que há de mais avançado no mundo, é encarada como um passo importante para a criação de novas oportunidades.

Para resultar em ganhos perenes, no entanto, o presidente do Congresso Nacional, senador Rodrigo Pacheco, fez um alerta sobre a necessidade de toda a classe empresarial ser consciente de que o momento é de união. “Ceder é o preço que vamos pagar para ter no nosso ordenamento um sistema tributário que seja unificado e que tenha o mínimo de justiça tributária”, vaticinou.

Ao final, o sentimento que ficou ao longo dos dois dias de painéis foi definido pelo empresário Wesley Batista, acionista do Grupo J&F. Questionado pelo jornalista William Waack sobre as perspectivas para o futuro, ele respondeu de forma otimista e esperançosa ao dizer que “o Brasil está caminhando”: “A gente queria que caminhasse mais rápido, mas está caminhando”.

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Esfera Brasil | Na direção de um bem comum

Esfera Brasil | Na direção de um bem comum

(Tempo de leitura: 5 minutos)

O que você precisa saber:
O primeiro dia do II Fórum Esfera Internacional contou com a presença de importantes representantes dos governos brasileiro e italiano, além de empresários de diferentes setores da economia.


Por Esfera Brasil

Para não perder a janela de oportunidade que se apresenta principalmente em relação a investimentos no setor de energia, com a crescente demanda global por fontes renováveis e iniciativas sustentáveis, o Brasil precisa se basear em um caminho de previsibilidade, além de garantir parâmetros de segurança pública para coibir a atuação do crime organizado e combater a desigualdades e a fome.

Leia mais: Confira como foi o segundo dia do II Fórum Esfera Internacional

No primeiro dia do II Fórum Esfera Internacional, os diálogos que envolveram autoridades brasileiras e italianas, além de representantes da classe produtiva, reforçaram a necessidade de pavimentar este caminho com força e otimismo.

“A América do Sul tem 450 milhões de habitantes e o Brasil não consegue se posicionar como um líder, com uma população de 200 milhões, para ser um parceiro estratégico da comunidade europeia, da Ásia e dos Estados Unidos. Cada governo tem um jeito, mais social ou mais liberal. A gente tem que conviver com todos os governos”, defendeu o presidente do Conselho da Localiza, Eugenio Mattar.

Infraestrutura e segurança

E oportunidades de crescimento não faltam, principalmente na área de infraestrutura. O Brasil deve receber um volume de recursos da ordem de R$ 20 bilhões da Enel até 2026, o que pode gerar demanda principalmente em relação a linhas de transmissão. Somado a isso, a ratificação do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, cujas negociações estão interrompidas, resultaria em benefícios para ambos os lados. “Pessoas estão perdendo energia hoje no Brasil e na Itália. Precisamos de um grande número de conexões. Os países precisam ser mais resilientes, e precisamos de investimentos específicos para que isso aconteça”, disse Alberto De Paoli, diretor de Resto do Mundo da Enel.

O avanço das organizações criminosas mundo afora, no entanto, é desafiador para o desenvolvimento das nações. Segundo o ministro da Justiça e Segurança Pública do Brasil, Ricardo Lewandowski, o avanço das atividades ilícitas se equipara, em termos de risco, a conflitos bélicos e também ao aquecimento global.

Em painel com a embaixadora Carla Barroso, representante permanente do Brasil na Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), e com Geyze Diniz, cofundadora do Pacto Contra a Fome, o jurista Pierpaolo Bottini foi na mesma direção de Lewandowski e lembrou que atividades criminosas interferem na segurança alimentar, seja pela adulteração e contrabando de produtos ou extorsão a produtores e manipulação de preços.

“O crime era local. A responsabilidade era da polícia civil, da polícia militar. A União cuidava de crimes que eram de interesse federal. Chegou o momento de fazermos uma reforma constitucional e repensar o modelo de segurança pública pensado há 36 anos, no seu artigo 144. Temos dez polícias no Brasil, e não há, dentro do federalismo brasileiro, uma coordenação entre essas forças”, sugeriu Lewandowski.

Na área econômica, o aumento dos gastos públicos nas últimas décadas é o principal desafio em relação à política fiscal brasileira. Ainda há incertezas de agentes econômicos sobre a real capacidade do arcabouço fiscal tornar sustentável a trajetória da dívida pública nos próximos anos. Por isso, a aprovação de uma reforma administrativa deve ser levada em consideração como alternativa concreta para redução de gastos públicos. 

Harmonia entre Poderes

Baseada, entre outros aspectos, no princípio do equilíbrio entre os Poderes presente na Constituição de 1988, a solidez das instituições democráticas foi saudada pelos participantes como ponto indispensável para a segurança jurídica. Para o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), o País atravessa um momento de “judicialização da política pela própria política”, o que reforça a necessidade de reafirmação do pacto constituinte pela Corte Suprema.

“A sociedade precisa do Estado para se desenvolver, para criar emprego. A sociedade tem pressa. Quando há uma crise na base das instituições, precisamos estar atentos onde estamos falhando. O gestor público e o gestor privado têm que pensar mais rápido”, afirmou Toffoli. “A cultura da judicialização está arraigada na sociedade”, acrescentou.

Próximos passos

Outras autoridades de expressão internacional, como os ministros Alexandre Silveira, de Minas e Energia do Brasil, e Francesco Lollobrigida, da Agricultura da Itália, participaram dos diálogos desta sexta-feira, 11. Assista ao primeiro dia de plenária na íntegra para não perder nenhum detalhe.

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