O que você precisa saber: Nesta quarta-feira (19), foram divulgadas as taxas de juros no Brasil e nos Estados Unidos. Thomas Gibertoni e Burton Mello, do nosso time de Gestão, comentaram as decisões.
O COPOM (Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil) decidiu, em sua última reunião, elevar a taxa Selic em 1,00%, levando-a a 14,25% ao ano. Esse movimento estava amplamente previsto pelo mercado financeiro, que já havia precificado essa decisão em suas expectativas. O comunicado emitido pelo Comitê, no entanto, trouxe nuances importantes que reforçam o tom firme e comprometido do Banco Central com o controle da inflação, alinhando-se às projeções de um cenário de aperto monetário prolongado.
O texto do comunicado foi considerado mais duro do que o esperado, principalmente pelo fato de o BC já sinalizar, de forma explícita, que deve promover um novo ajuste na taxa de juros na próxima reunião, ainda que de magnitude menor. Essa postura reforça a disposição da autoridade monetária em manter o combate às pressões inflacionárias, mesmo diante de um cenário global e doméstico desafiador, marcado por incertezas fiscais e volatilidade nos mercados internacionais.
Do ponto de vista do mercado, essa sinalização clara de continuidade no ciclo de alta dos juros tende a trazer mais previsibilidade para os agentes econômicos. Como resultado, é esperada uma resposta positiva nos juros de prazos mais longos, com possíveis quedas nas taxas futuras, refletindo uma maior confiança na ancoragem das expectativas inflacionárias. Além disso, o dólar pode apresentar uma tendência de desvalorização frente ao real, uma vez que a manutenção de uma política monetária restritiva tende a aumentar o atrativo dos ativos brasileiros para investidores estrangeiros.
No que diz respeito ao mercado acionário, o impacto deve ser mais neutro. Por um lado, a sinalização de um BC firme no combate à inflação pode ser vista como positiva, pois reduz o risco de descontrole nos preços no médio prazo. Por outro lado, a perspectiva de juros mais altos por um período prolongado pode pesar sobre o desempenho das empresas, especialmente aquelas mais endividadas ou sensíveis ao custo do crédito. Assim, o efeito líquido sobre a bolsa de valores deve ser limitado, com movimentos setoriais específicos ganhando destaque.
Em resumo, a decisão do COPOM reforça o compromisso do Banco Central com a estabilidade econômica, mas também evidencia os desafios que o país enfrenta para equilibrar crescimento, inflação e expectativas de mercado. A próxima reunião será crucial para avaliar se o ciclo de alta dos juros está próximo do fim ou se ainda há espaço para novos ajustes, dependendo da evolução dos indicadores macroeconômicos nos próximos meses.
Thomas Gibertoni Sócio | Portfolio Manager
O Federal Open Market Committee (FOMC) divulgou sua mais recente decisão, optando por manter a taxa de juros entre 4,25% e 4,5%. De acordo com o comunicado, a economia americana continua se expandindo em um ritmo sólido, com o desemprego estabilizado em níveis baixos e condições do mercado de trabalho que permanecem favoráveis. Entretanto, a inflação continua um pouco acima do ideal de 2% estabelecido pelo comitê.
O comitê destacou que a incerteza em relação às perspectivas econômicas aumentou, e por isso continuará monitorando atentamente os dados econômicos, o cenário em evolução e o equilíbrio de riscos, permanecendo pronto para ajustar sua política monetária conforme necessário para atingir seus objetivos de máximo emprego e estabilidade de preços.
O que você precisa saber: Nesta quarta-feira (26), tivemos o último dia do CEO Conference Brasil 2025, evento promovido pelo BTG Pactual. Desta vez, os ministros Rui Costa e Luís Roberto Barroso, o CEO da Uber, Dara Khosrowshahi, foram algumas das figuras importantes do cenário político e econômico que marcaram presença.
O dia começou com a presença do ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Supremo Tribunal Federal, que falou sobre como o Brasil “ainda é uma das melhores opções de investimentos do mundo. Temos fronteiras consolidadas, não temos problemas de guerra, boa relação com todo o mundo, instabilidade institucional, tolerância religiosa e energia limpa”.
A denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro também foi tema de questionamentos para o ministro. Ele defendeu uma punição adequada para uma articulação “aparentemente estarrecedora articulação para um golpe de Estado”, além de que a denúncia causa “algum grau de tensão política no país” e “preocupação” na Corte, mas “não há como deixar de julgar”. “Se tem prova, condena, se não tem, absolve”, afirmou o ministro.
Lideranças Políticas
O segundo painel do dia serviu para dar um gosto do que podem ser os debates do próximo ano. Atuando como oposição do governo, Ciro Nogueira, Senador e Presidente dos Progressistas, foi duro nas críticas que fez a Lula, dizendo que tem “muita preocupação com o atual governo” e citou que “temos um ministro da Fazenda com a menor credibilidade do mercado na história”, apesar de fazer alguns elogios a Haddad.
“Acho que nosso país precisa virar a página e olhar para a frente. Qual o motivo para esse governo não estar dando certo? É um governo que só olha para trás”, disse. Nogueira foi ainda mais enfático ao dizer que o “presidente não tem tido capacidade de unir o Brasil. O que ele fez foi dividir, cometendo os mesmos erros do ex-presidente Bolsonaro, de querer falar só para a sua bolha”. Ele ainda ressaltou o receio de que a busca do governo por popularidade possa levar à tomada de decisões equivocadas.
Já fazendo um comentário sobre 2026, o político afirmou que é “difícil imaginar que centro e direita não se organizem para vencer a próxima eleição”.
No painel também estava Edinho Silva, ex-prefeito de Araraquara, ex-ministro da Comunicação Social e ex-deputado estadual, ventilado como um dos possíveis nomes para assumir a presidência do PT (Partido dos Trabalhadores). Na visão dele, “o grande desafio do PT é o pós-Lula, em construir um partido para a sucessão do atual presidente”. Silva analisou que não haverá o surgimento de um novo Lula no próximo período histórico, “já que as condições que impulsionaram o Lula não existem hoje”. “Mais do que nomes, para a sucessão, o PT tem que ter uma agenda que dialogue com a realidade da sociedade brasileira”, disse.
Ele adotou uma postura mais otimista quanto à avaliação do atual governo. Apesar de mencionar que existem, sim, desafios, disse estar “confiante com o que está sendo construído”.
Grandes Empresários: Visões Sobre o Brasil
Grandes nomes do setor empresarial do Brasil também foram ao palco e falaram sobre suas experiências profissionais, empresas e o que esperam para seus respectivos setores.
Os painelistas também foram questionados sobre o que faz o empresário dar certo no Brasil. Carlos Sanchez, Chairman do Grupo NC, disse que criar estabilidade para passar por momentos de juros altos e indefinição política é um dos diferenciais que contribuem para o sucesso. “Precisa ter resiliência e se preparar, não é como empresários de países com juros de 2%. O Brasil é um país bom, mas que tem essas características e precisa aprender a surfar nessa onda”.
Já Rubens Menin, Chairman da MRV e do Banco Inter, comentou em linha com seu colega de painel e acrescentou que é “preocupado com as altas taxas de juros, mas talvez elas sejam a consequência, e não a causa”. Ele ainda ressaltou a importância da discussão sobre déficit fiscal e consciência tributária. “O momento agora é de muita reflexão, com os juros mais elevados”.
Oportunidades de Investimentos no Brasil
O ministro da Casa Civil, Rui Costa, era um dos nomes mais esperados do evento. Após pesquisas mostrarem uma queda na popularidade do presidente Lula, o ministro confirmou que o governo não vai adotar nenhuma “medida excepcional” para estimular a economia brasileira e ainda ressaltou que a gestão mostrou compromisso com a responsabilidade fiscal. O chefe da Casa Civil acredita que uma melhor comunicação e queda no preço dos alimentos devem ajudar na popularidade de Lula. “Quando você tem um movimento de preços de alimentos, principalmente, você mexe com a popularidade de qualquer governo e nós precisamos ajustar e dialogar muito com os setores produtivos”.
Sobre a reforma ministerial, o ministro não deu muitos detalhes, mas afirmou que a decisão cabe apenas ao governo e o único que tem as respostas é o presidente.
EUA: Trajetória Econômica e Monetária
O painelista Kevin Warsh, ex-membro do Conselho de Governadores do US Federal Reserve, foi crítico ao que considerou uma nova postura por parte do Fed. Segundo ele, o banco central americano “deveria gastar mais tempo escutando e refletindo”. Ele explicou que antes a autoridade mantinha uma postura mais discreta, mas agora está constantemente na mídia, o que contribui para a volatilidade.
O crescente endividamento americano foi outro ponto de preocupação para Warsh. Ele alertou que essa dinâmica pode comprometer a sustentabilidade econômica a longo prazo, não só nos Estados Unidos como nas economias liberais.
Além disso, ele ainda explicou que a atual dinâmica bilateral americana não significa isolacionismo. Warsh disse que, para o governo dos Estados Unidos, as instituições multilaterais não se mostram mais eficientes. “Não me parece como um fechamento dos EUA, mas acho que é uma nova abordagem para um conjunto de iniciativas”, afirmou. Ainda sobre esse assunto, ele disse que “as instituições como ONU, FMI, Banco Mundial e OMC, se a gente olhar para o século 21, elas não estão mais atendendo às suas finalidades”. “Elas precisam ser reformadas ou os EUA vão encontrar novas maneiras para conseguir resultados interessantes para si”, finalizou.
Experiência Pós-Privatização
Carlos Piani, CEO da Sabesp, Ivan de Souza Monteiro, CEO da Eletrobrás, e Daniel Slaviero, CEO da Copel, falaram sobre as próprias experiências e das empresas sobre os momentos pós-privatização. “Temos uma responsabilidade com o Brasil de mostrar que uma empresa privada e bem gerida gera mais valor para seus clientes, investidores, colaboradores e a sociedade. Isso é um propósito e uma missão nossa”, contou.
Além disso, o executivo da Copel disse que tem como objetivo “atrair e reter os melhores talentos, além de evoluir a cultura da Copel para uma cultura de dono”. Já Monteiro, da Eletrobrás, falou sobre a capacidade que a companhia tem em oferecer soluções de energia e não vender energia.
Fireside Chat: Uber CEO, Dara Khosrowshahi
Finalizando mais uma edição do CEO Conference, o convidado foi o CEO da Uber, Dara Khosrowshahi. Ele comentou sobre suas expectativas para o futuro da empresa e contou que o crescimento é o que “nos mantém entusiasmados”. “Do nosso ponto de vista, queremos ser a maior empresa de logística local de tempo real do mundo. Ou seja, levar as pessoas e as coisas de um lugar para o outro”, explicou.
O CEO citou o sucesso do Uber Eats, contando que a empresa quer entregar “qualquer coisa até sua casa, como itens de farmácia, remédios, entre outros”. Ele falou como essa estratégia vai ajudar varejistas locais com a concorrência da Amazon e empoderar essas pessoas. “Queremos continuar na área de mobilidade, avançando com a direção autônoma, mas queremos aumentar o escopo na área de delivery, com tudo podendo ser entregue na sua casa”.
O Brasil foi citado como responsável por ter seis das 10 maiores cidades do mundo em termos de viagens. “É um mercado incrível para nós”, disse. Além disso, foi questionado como é a relação da empresa com os órgãos reguladores, a qual ele respondeu como “justa”.
Por fim, ele também falou que acredita que as mudanças que a inteligência artificial vai proporcionar nos próximos cinco anos serão muito significativas, assim como mencionou que a tecnologia para os carros autônomos já está pronta e em funcionamento, mas que há a “oportunidade de fazer os autônomos serem muito mais seguros”.
Este conteúdo é produzido pela PORTOFINO MULTI FAMILY OFFICE e fomenta o diálogo sobre a política e o empresariado brasileiro. A nossa opinião é neutra e não é partidária.
O que você precisa saber: Nesta terça-feira (25), aconteceu o primeiro dia do CEO Conference Brasil 2025, evento promovido pelo BTG Pactual, que contou com a presença de diversas figuras importantes do cenário político e econômico brasileiro, como o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, Alexandre Silveira, Ministro de Minas e Energias do Brasil, entre outros.
Cenário Econômico 2025
O evento começou com a presença mais esperada: Fernando Haddad, ministro da Fazenda. Haddad começou falando sobre como o contexto geopolítico está desafiador, com a falta de previsibilidade com a economia americana. Ele explicou que essa tensão econômica é global e citou que “há maior tensão na Colômbia, no México e no Chile, que são países relativamente organizados”.
O ministro também falou que o mercado financeiro está “muito mais tenso” do que antigamente. Ao ser perguntado sobre as incertezas do final do ano passado, ele afirmou que “as pessoas estão com mais dedo no gatilho, esperando uma notícia para agir, para se proteger ou especular”.
No que diz respeito ao Brasil, segundo Haddad, o Brasil é visto positivamente pelo cenário externo. Ele mencionou que as agências de classificação de risco, o FMI (Fundo Monetário Internacional) e os fundos de investimento soberanos têm uma visão diferente em relação à avaliação dos investidores locais.
As contas públicas também foram pauta do debate. O ministro ressaltou a colaboração dos parlamentares para a elevação das receitas, contudo disse que o Congresso Nacional impediu o governo de zerar o déficit fiscal. Além disso, também destacou o compromisso do presidente Lula com o ajuste fiscal.
Haddad, ainda em sua fala, disse que, com a vitória de Lula nas eleições de 2022, a “democracia foi salva”, assim como também disse que não será candidato nas eleições de 2026. O nome do ministro é sempre muito ventilado caso Lula decida não tentar uma nova reeleição. Outro assunto em alta nos corredores do Planalto é a reforma ministerial, a qual Haddad reforçou que nunca conversou com o presidente sobre o assunto.
Estratégias para Segurança Energética no Brasil
O segundo painel do dia debateu sobre segurança e transição energética. Entre os convidados estava Alexandre Silveira, Ministro de Minas e Energias do Brasil, que afirmou que o gás natural é sem dúvida visto no mundo inteiro como combustível de transição e completou dizendo que o nosso país precisa ampliar a nossa oferta desse recurso.
Para ele, o Brasil já faz a sua parte na questão da sustentabilidade, vendo-o como muito promissor nessa área. Ele completou ao afirmar que as políticas públicas estão sendo feitas de formas vigorosas para essa transição energética. Segundo Silveira, o Brasil “o líder da transição energética global”.
O ministro ainda comentou um tema espinhoso que divide opiniões dentro do governo e atrai críticas de ambientalistas: a exploração de petróleo na Margem Equatorial. Assunto muito debatido recentemente, Silveira defendeu a exploração na região “dentro de uma legislação ambiental que já é extremamente moderna e segura” e justificou que, enquanto o mundo demandar [petróleo], “não seremos nós que poderemos deixar de ofertar”.
Aprofunde mais: a Margem Equatorial é uma região na costa do Brasil entre o Amapá e o Rio Grande do Norte, vista como uma nova fronteira de exploração de petróleo e gás.
Navegando Mercados em 2025: Macro Views
Encerrando os painéis da parte da manhã, os painelistas comentaram sobre o cenário macroeconômico atual. Felipe Guerra, CIO da Legacy Capital, apresentou uma visão bastante otimista com o cenário americano e global. Ele, assim como Fabiano Rios, CIO da Absolute Investimentos, elogiaram a equipe econômica do governo Trump.
Já no que diz respeito ao Brasil, Carlos Woelz, sócio-fundador da Kapitalo Investimentos, foi crítico ao dizer que o Brasil continua tão ruim quanto era em dezembro e “tão ruim quanto era em agosto antes de piorar”. Woelz também criticou o arcabouço fiscal, que começou com uma base não sustentável e com uma regra toda complicada, “como a de campeonatos estaduais”, brincou. Ele ainda creditou a piora do cenário entre agosto e dezembro ao fato da percepção de que iria precisar de uma política monetária muito mais alta.
Por outro lado, Rodrigo Carvalho, sócio-fundador da Clave Capital, viu a melhora por parte dos ativos brasileiros a partir de um começo mais suave da política de tarifas de Trump do que o mercado esperava.
O Mundo com Trump 2.0
Mike Pompeo, ex-Secretário de Estado dos Estados Unidos, abriu os painéis da tarde e discorreu sobre os recentes acontecimentos envolvendo Estados Unidos, Rússia e Europa. Para ele, os europeus sentiram que estavam sendo cortados, mas a voz deles ainda é muito grande nesse cenário. “Nós ouvimos que os EUA vão abandonar a Ucrânia, mas eu não posso imaginar que algo como isso aconteça”, disse Pompeo.
Quando perguntado qual seria um possível resultado para todo esse cenário, ele respondeu que a percepção tem que ser a de que o presidente Putin não venceu.
O ex-secretário também falou sobre o momento da China e foi enfático ao dizer que o presidente Xi Jinping está muito focado no poder. Ele explicou que vê a China em um momento de ação, em que o país vai demonstrar seu poder econômico, militar e tecnológico para colocar pressão em outras nações. Neste sentido, ele criticou o fato de, na sua opinião, ver que o líder chinês vê a economia como um suporte para os seus objetivos ao invés de usar a economia para alcançá-los.
E por falar em tecnologia, a inteligência artificial foi pauta. Pompeo explicou que especialistas já percebiam que a China estava diminuindo a distância para os Estados Unidos antes mesmo da DeepSeek. “DeepSeek foi uma surpresa para todo mundo, mas quando damos um passo atrás e analisamos, não chega a ser uma surpresa”.
O Que Esperar do Cenário Macroeconômico em 2025
Na sequência, o cenário americano continuou sendo tema de debate, mas dessa vez com Mansueto Almeida, sócio e economista-chefe do BTG Pactual, e Tiago Berriel, sócio e estrategista-chefe. Mansueto citou que o desafio fiscal dos Estados Unidos é bem grande, e não acredita que a equipe do governo vai conseguir reduzir os gastos para levar a dívida pública ao patamar anterior ao da pandemia. Berriel abordou a questão das tarifas, comentou que o presidente e o seu entorno parecem estar bastante comprados em relação a essa questão e à política de imigração, sendo úteis para a economia e negociações.
Ao falar sobre o Brasil, Mansueto analisou o governo e o momento da economia. “O governo vai aceitar uma desaceleração da economia com o juro tão alto?”, questionou, e continuou explicando que “estamos vendo desde o início do ano o anúncio de medidas de estímulo da economia. No ponto de vista de expectativa, acaba machucando a crença de que a política monetária vai funcionar”.
Também presente no painel, Eduardo Loyo, sócio do BTG, disse que seria importante que as pessoas vissem que a política monetária está tendo um efeito e fazendo a economia desacelerar para levar a inflação a uma trajetória de convergência. “Eu acho que, se você anuncia uma série de programas para compensar no futuro o juro alto e que evitem que tenha qualquer efeito, você está trabalhando contra a política monetária e a credibilidade da mesma”, finalizou.
Visões de Brasil e Mundo
André Esteves, Chairman & Sócio Sênior do BTG, foi entrevistado por William Waack. Assim como aconteceu ao longo de todo o dia, os Estados Unidos e o cenário geopolítico foram temas centrais.
Esteves caracterizou Trump como um “pacote complexo”, no qual a sua vitória indiscutível mostrou que a sociedade americana queria algo a mais que o presidente simboliza. Além disso, o sócio também falou sobre a personalidade do presidente, que costuma trazer “verdades duras” para o debate, apesar de não concordar com a tática que ele usa.
Questionado sobre a possível resolução na guerra da Ucrânia, ele demonstrou preocupação sobre o movimento americano em direção à Rússia, “pois abala uma aliança que está no centro do mundo ocidental, entre Estados Unidos e Europa”.
Por fim, ele falou como o Brasil se posiciona nesse cenário. Na visão de Esteves, o Brasil está à margem da briga entre China e Estados Unidos. “Em mundo mais dividido ou mais unido, acho que a gente consegue navegar ‘numa boa’. No lado tarifário, a gente ainda tem um adicional, já que somos um dos poucos países que têm déficit com os EUA, eles são superavitários com o Brasil. Nós estamos fora do radar do ponto de vista tarifário, podemos pegar só um efeito colateral como o aço”.
Outlook de Grandes Gestores
Por fim, o primeiro dia de evento acabou com um debate que já começou a fazer análises sobre as eleições do ano que vem. Antes disso, Rogério Xavier, sócio-fundador da SPX Capital, se mostrou pessimista com a inflação brasileira: “Eu acho que a inflação nunca mais cai se a gente não encarar definitivamente a questão do déficit”. Ele ponderou que essa não é uma questão exclusiva desse governo, mas que “o grande problema do Brasil é o Congresso Nacional”.
Luís Stuhlberger, sócio-fundador da Verde Asset, também estava presente e deu início aos comentários sobre eleição ao dizer que a queda de aprovação do governo foi surpreendente.
Para finalizar, as eleições de 2026, na visão de Xavier, terão uma grande influência de Jair Bolsonaro, em um cenário no qual muitos acreditam que ele possa apoiar Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, ou algum membro familiar, como um filho ou a esposa.
O CEO Conference Brasil 2025 retorna nesta quarta-feira (26) com outros nomes importantes.
Este conteúdo é produzido pela PORTOFINO MULTI FAMILY OFFICE e fomenta o diálogo sobre a política e o empresariado brasileiro. A nossa opinião é neutra e não é partidária.
O sistema da Declaração de Capitais Brasileiros no Exterior (“CBE” ou “DCBE”) já está aberto e o prazo para apresentar a declaração termina no dia 07 de abril de 2025, às 18h00.
Sendo assim, a nossa equipe de Wealth Planning preparou um guia com orientações sobre quem é obrigado a apresentar a Declaração de Capitais Brasileiros no Exterior (CBE ou DCBE) em 2025 e como declarar os principais ativos no exterior.
Clique no ícone abaixo para fazer o download do guia.
O que você precisa saber: A disputa entre Executivo e Legislativo sobre o gasto público destaca a importância da colaboração entre ambos. O Ploa 2025 enfrenta limitações, com a maioria das despesas sendo obrigatórias. O Congresso corrige falhas do Executivo, buscando garantir sustentabilidade e equilíbrio. Superar rivalidades é essencial para uma aplicação eficiente dos recursos públicos.
Por senador Angelo Coronel, relator do Orçamento 2025
A disputa entre Executivo e Legislativo sobre quem define melhor o gasto público ignora um fato crucial: ambos os Poderes são técnicos e políticos, mas só juntos garantem equilíbrio.
O Projeto de Lei Orçamentária (Ploa) 2025, enviado pelo governo com premissas de crescimento de 2,64% do Produto Interno Bruto (PIB) e inflação de 3,3%, já nasce engessado: 92,2% das despesas são obrigatórias, deixando míseros 7,8% (R$ 230 bilhões) para decisões discricionárias. O Executivo, ao alegar supremacia técnica, esquece que seu próprio projeto é amplamente contestado por órgãos federais, que imploram ajustes a este relator. Se a proposta fosse imune a falhas, por que tanta pressão por revisões?
O próprio Executivo, ao enviar o Ploa, subestimou riscos. O salário mínimo projetado ignorava estimativas mais realistas do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) – cada 1 ponto percentual extra custa até R$ 10 bilhões. Já o Benefício de Prestação Continuada (BPC), com dotação de R$ 112,9 bilhões, não cobre o estoque de 431 mil requerimentos pendentes. E o corte de R$ 3 bilhões no Auxílio Gás, dependente de manobra contábil questionável, expõe a fragilidade da proposta original.
O Congresso não é um mero “revisor político”. Com mais de 500 consultores especializados – muitos ex-gestores do Executivo –, a Casa analisa cada linha do Orçamento com rigor. Em 2024, a aprovação em tempo recorde do complexo pacote de corte de gastos mostrou essa capacidade técnica: as novas regras protegeram benefícios sociais do crescimento descontrolado e travaram incentivos tributários em caso de déficit. O impacto é claro: sem essas medidas, o teto de gastos para 2025 já estaria comprometido.
Agora, o desafio é aprovar o Orçamento 2025 na Comissão Mista de Orçamento (CMO), que tem até a última terça-feira de março para concluir seu trabalho. Será preciso equilibrar as demandas: de um lado, o mercado desconfia da receita estimada (R$ 2,349 trilhões), acima das projeções do Prisma Fiscal (R$ 2,275 trilhões). De outro, a pressão por investimentos mínimos de 0,6% do PIB (R$ 74,3 bilhões), essenciais para não estrangular o crescimento.
A lição do pacote de corte de gastos é clara: técnica sem política é miopia. O Executivo escolheu prioridades ao enviar o Ploa, mas cabe ao Legislativo corrigir distorções e garantir sustentabilidade.
O Congresso não é um adversário – é um parceiro que ouve prefeitos, governadores e a sociedade. Se o Orçamento fosse apenas uma planilha, não precisaríamos de democracia.
À classe produtiva, que busca previsibilidade e racionalidade na aplicação de recursos públicos, cabe reforçar: a modernidade está em abandonar rivalidades. O Brasil não suporta mais Orçamentos feitos em gabinetes fechados. Técnica e política são faces da mesma moeda – a que paga o preço do futuro.
Somos parceiros da Esfera BR, uma iniciativa independente e apartidária que fomenta o pensamento e o diálogo sobre o Brasil, um think tank que reúne empresários, empreendedores e a classe produtiva. Todas as opiniões aqui apresentadas são dos participantes do evento. O nosso posicionamento nesta iniciativa é o de ouvir todos os lados, neutro e não partidário.
Clique aqui para ler sobre outras personalidades e eventos promovidos pela Esfera BR e Portofino MFO.
O que você precisa saber: Gabriel Galípolo assumiu a presidência do Banco Central e terá o seu primeiro grande dia. Assim como hoje, Galípolo estará no centro dos holofotes por muito tempo.
Gabriel Galípolo começou 2025 como o novo presidente do Banco Central, e o dia do seu primeiro grande teste no cargo chegou. Será a sua estreia na decisão de juros como líder da autoridade monetária, o que certamente o colocará novamente no centro dos debates econômicos.
Galípolo iniciou sua trajetória no governo Lula como secretário-executivo do Ministério da Fazenda e chamou rapidamente a atenção. Seu desempenho agradou tanto que, em pouco tempo, foi nomeado diretor de política monetária do Banco Central, pavimentando seu caminho para a presidência da instituição.
Apesar de sua boa relação com Lula e o ministro Haddad, sua indicação foi recebida com desconfiança inicial. A principal preocupação girava em torno de como Galípolo atuaria em um Banco Central independente, dado seu vínculo próximo com o Executivo. Esse receio foi amplificado pelas críticas de Lula a Roberto Campos Neto, que mantinha a Selic elevada, e por declarações que sugeriam uma possível interferência na política monetária.
O maior sinal de alerta surgiu em maio, quando a taxa básica de juros foi reduzida de 10,75% para 10,50%. Na ocasião, Galípolo votou por um corte de 0,50 p.p., enquanto Campos Neto preferia uma redução de 0,25 p.p. Essa divergência levantou questionamentos no mercado sobre se, como presidente, Galípolo seria mais flexível em relação à situação fiscal e às metas de inflação, cedendo à pressão política.
No entanto, tanto Galípolo quanto Lula reiteraram que ele teria plena autonomia no cargo. Além disso, nas reuniões subsequentes, ficou claro que suas decisões seguiram critérios técnicos. Apesar da desconfiança inicial, os indicados de Lula na diretoria só divergiram de Campos Neto uma única vez – no episódio mencionado.
A última reunião de 2024 – e também a última de Campos Neto como presidente do BC – resultou em um aumento de 1 ponto percentual nos juros, com previsão de mais dois aumentos da mesma magnitude nas reuniões seguintes. A expectativa é que a taxa de juros alcance 14,25% em março, o que traz um desafio ainda maior para Galípolo. Os juros elevados podem dificultar o crescimento econômico esperado para os próximos anos, aumentando a pressão sobre o governo, especialmente em um cenário que antecipa uma possível corrida pela reeleição de Lula, enquanto o Banco Central tenta conter a inflação que entra em 2025 em alta, após estourar o teto da meta no ano anterior.
Assim, Galípolo assume o comando do Banco Central com o apoio do governo e a promessa de autonomia para conduzir a política monetária. Sua atuação será acompanhada de perto, com a expectativa de que suas decisões sejam sempre baseadas em critérios técnicos.