Esfera Brasil | Fontes renováveis são aposta econômica do Nordeste

Esfera Brasil | Fontes renováveis são aposta econômica do Nordeste

(Tempo de leitura: 5 minutos)

O que você precisa saber:
Em entrevista para a Esfera Brasil, a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, falou sobre as oportunidades sustentáveis da região.


Por Esfera Brasil

Pernambuco prevê R$ 1,7 bilhão em investimentos na infraestrutura necessária para distribuir ao restante do País a energia gerada nos parques solares e eólicos da Zona da Mata ao sertão, o que contempla a construção de novas linhas de transmissão e subestações.

Comandado por Raquel Lyra, que nos cedeu a entrevista exclusiva abaixo, o estado é um dos que se projetam na região como impulsionadores de um modelo econômico sustentável, a partir da gestão consciente dos recursos naturais e da valorização de projetos voltados à pesquisa e inovação.

De que forma Pernambuco tem estruturado políticas públicas com foco na transição energética para os próximos anos? É possível projetar um volume de investimentos?

Devido às características naturais do nosso estado, que tem grande potencial de geração de energias solares, eólicas e de biomassas, temos articulado a atração de investimentos públicos e privados. A realização de leilões da Aneel para a construção de linhas de transmissão e subestações viabilizará a infraestrutura necessária para escoar a energia renovável para os maiores mercados consumidores dentro do Brasil, que são as regiões Sul e Sudeste. Somente em Pernambuco, esses leilões representam investimentos na ordem de R$ 1,7 bilhão. Vender para garantir a demanda de consumo para essa energia produzida na região, não só no Brasil, mas fora também, é fundamental para sustentar a transição energética.

A transição energética para Pernambuco e para o Nordeste precisa ser enxergada como uma grande oportunidade de crescimento econômico com redução das desigualdades. No mês de fevereiro, nós inauguramos uma usina de autoprodução de energia solar para abastecer unidades da Compesa [Companhia Pernambucana de Saneamento]. Concluímos a primeira etapa da usina solar, que fica no município de Flores, no Sertão do Pajeú. Fizemos um investimento de R$ 26 milhões. A previsão é que sejam reduzidas mil toneladas de emissão de CO2 na atmosfera.

“Novas rotas energéticas têm o potencial de colocar a região em uma posição de protagonismo global, mas devem ser construídas de modo a promover o desenvolvimento da nossa cadeia industrial e a geração de emprego e renda”, Raquel Lyra.

Como a senhora enxerga projetos como o Marco Legal do Hidrogênio Verde, o PL do Combustível do Futuro e o Mover nesse processo?

Novas legislações pavimentam o caminho para o surgimento de novas rotas energéticas, em especial no Nordeste e no estado de Pernambuco. Essas rotas têm o potencial de colocar a região em uma posição de protagonismo global, mas devem ser construídas de modo a promover o desenvolvimento da nossa cadeia industrial e a geração de emprego e renda.

Nosso estado possui capacidade instalada de infraestrutura, a exemplo do Porto de Suape, para atrair investimento de cadeias industriais que se beneficiarão da energia limpa e competitiva disponível em nossa região. O hidrogênio renovável e os biocombustíveis são exemplos de como essas novas rotas podem se consolidar.

Nesse sentido, vale ressaltar, na redação aprovada pelo Congresso para o Marco Legal do Hidrogênio Verde, a inclusão da biomassa e do etanol na rota de produção do hidrogênio renovável. Isso amplia as possibilidades de construirmos uma transição energética que considere os atributos e as oportunidades da nossa região.

Quais são os principais legados que Pernambuco quer deixar na agenda da economia verde?

Queremos, a partir dessa capacidade instalada, desenvolver novas cadeias de valor agregado, ou seja, produzir fertilizantes e produtos manufaturados com a energia verde. Queremos deixar como legado nossa responsabilidade social e ambiental durante a transição para a economia verde.

Nosso objetivo é que nossa atuação tenha um impacto duradouro na criação de uma economia mais sustentável, resiliente e justa para as futuras gerações. Estamos comprometidos com o desenvolvimento de políticas públicas sustentáveis que promovam energias renováveis, eficiência energética, a conservação dos recursos naturais do estado e a diminuição das emissões de gases de efeito estufa.

Lançamos um Plano de Ação e um Modelo de Governança para promover uma economia sustentável e inclusiva, dando início à transição no estado. Acreditamos que as empresas locais também devem ser protagonistas nesse processo. Incentivamos a adoção de práticas sustentáveis e o desenvolvimento de responsabilidade social corporativa. Por meio do Movimento Plantar Juntos, estamos recuperando áreas degradadas do nosso estado, com a meta de plantar quatro milhões de árvores até o fim de 2026.

De que forma outros estados e regiões podem aproveitar o potencial da região Nordeste na transição energética?

 Na área de energia sustentável, outras regiões podem apoiar e participar de projetos de cooperação para desenvolver parques eólicos e solares, compartilhando tecnologias e melhores práticas.

Além disso, é crucial trabalhar nas interconexões de rede, investindo em uma infraestrutura robusta de transmissão de energia que permita a integração da produção de energia renovável do Nordeste com outras regiões do País. Isso inclui a modernização e expansão da rede elétrica para acomodar a variabilidade das fontes renováveis. Promover a inovação por meio de concursos, subsídios e incubadoras de startups que estejam desenvolvendo soluções inovadoras para a transição energética também é uma estratégia valiosa.

Somos parceiros da Esfera BR, uma iniciativa independente e apartidária que fomenta o pensamento e o diálogo sobre o Brasil, um think tank que reúne empresários, empreendedores e a classe produtiva. Todas as opiniões aqui apresentadas são dos participantes do evento. O nosso posicionamento nesta iniciativa é o de ouvir todos os lados, neutro e não partidário.

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Top-down x bottom-up: visões macro e micro nos investimentos

Top-down x bottom-up: visões macro e micro nos investimentos

O que você precisa saber:
As abordagens top-down e bottom-up são estratégias de investimento muito comuns entre os investidores. Entretanto, elas possuem características distintas em cada análise, mas é importante conhecer como funcionam para entender qual mais se encaixa com o seu perfil de investidor.


No mundo dos investimentos, escolher a melhor estratégia pode ser um verdadeiro desafio. Dentro da Análise Fundamentalista, existem duas abordagens populares: a top-down e a bottom-up, cada uma oferecendo uma maneira distinta de analisar e selecionar investimentos.

A abordagem top-down começa com uma visão ampla do mercado, analisando primeiro a economia global. Isso inclui avaliar tendências de crescimento econômico, taxas de juros, inflação e políticas governamentais. Com essa visão geral, o investidor aumenta sua capacidade em identificar setores específicos que serão mais beneficiados. Por exemplo, se a economia está se voltando para energia renovável, pode-se focar no setor de energia solar ou eólica em detrimento de matrizes de energia fóssil. Após selecionar setores promissores, o próximo passo é escolher empresas dentro desses setores que apresentam os melhores fundamentos, como desempenho financeiro sólido, boa gestão e competitividade. 

Essa abordagem ajuda os investidores a se posicionarem em setores e empresas que se beneficiam das tendências econômicas gerais, alinhando seus investimentos com o panorama macroeconômico.

Por outro lado, a abordagem bottom-up começa com a análise detalhada de empresas individuais, independentemente do setor ou das condições econômicas gerais. Aqui, o foco é examinar minuciosamente o balanço patrimonial, lucros, fluxo de caixa, produtos, gestão e vantagem competitiva de cada empresa. Após identificar empresas sólidas, considera-se o setor em que elas operam e, finalmente, como essas empresas e setores se encaixam no cenário econômico global. 

top-down investimentos

Tal abordagem permite que os investidores encontrem empresas subvalorizadas ou com grande potencial, mesmo em setores que podem não estar em alta no momento, acreditando que as iniciativas próprias que a empresa está tomando são mais relevantes do que o ambiente externo a ela. É uma estratégia baseada na crença de que boas empresas podem prosperar independentemente das condições macroeconômicas, sendo geralmente utilizada por investidores que adotam a estratégia buy and hold, acompanhando a empresa escolhida no longo prazo.

A escolha entre essas abordagens depende do perfil do investidor e das condições de mercado. A abordagem top-down é ideal para aqueles que desejam se alinhar com as grandes tendências econômicas e identificar setores promissores. É particularmente útil em tempos de grandes mudanças econômicas ou políticas. Já a abordagem bottom-up é perfeita para investidores que acreditam na seleção de ações individuais com base em seus méritos intrínsecos e que têm um profundo conhecimento de empresas específicas. É útil para identificar oportunidades únicas no mercado, que podem passar despercebidas por uma análise macroeconômica mais ampla.

A top-down e a bottom-up têm suas vantagens e desvantagens. A estratégia top-down ajuda a manter uma visão estratégica e a se posicionar para grandes tendências, mas pode perder oportunidades individuais dentro de setores menos promissores. A bottom-up oferece uma análise detalhada de empresas específicas e pode identificar oportunidades únicas, porém pode não levar em conta os riscos macroeconômicos mais amplos. O segredo para bons investidores é saber como essas duas estratégias podem ser complementares, se bem utilizadas. O investidor precisa se conhecer, entender seus objetivos e desejos, para aplicar a estratégia que maximize seus investimentos.

Na Portofino, contamos com um time de gestão robusto, experiente e complementar, onde todas as decisões de investimento são tomadas de forma colegiada em diferentes e recorrentes comitês, garantindo uma abordagem equilibrada e bem fundamentada. Nossa estrutura de investimentos, com estratégias personalizadas para cada cliente e seus objetivos, assegura que nossas decisões de investimento sejam tanto estratégicas quanto detalhadamente fundamentadas, otimizando o portfólio para gerar valor consistente e sustentável.

No mercado financeiro, tanto a abordagem top-down quanto a bottom-up têm seus méritos. Muitos investidores optam por uma combinação das duas, aproveitando o melhor de ambos os mundos para construir um portfólio equilibrado e bem-informado. Dessa forma, é possível se beneficiar das tendências econômicas gerais enquanto se aproveita de oportunidades específicas e subvalorizadas no mercado.


Este texto tem fins informativos e educacionais e não constitui uma recomendação de investimento. Nenhuma estratégia de investimento, incluindo a análise fundamentalista ou técnica, garante retornos positivos ou evita perdas. As abordagens discutidas devem ser adaptadas às circunstâncias individuais de cada investidor. É importante que cada investidor realize sua própria pesquisa e considere seus objetivos, tolerância ao risco e situação financeira antes de tomar decisões de investimento.

Esfera Brasil | Entenda o que é a Estratégia de Governo Digital e como ela afeta a rotina dos brasileiros

Esfera Brasil | Entenda o que é a Estratégia de Governo Digital e como ela afeta a rotina dos brasileiros

(Tempo de leitura: 4 minutos)

O que você precisa saber:
O governo lançou a Estratégia Nacional de Governo Digital para 2024-2027, iniciativa que visa reduzir fraudes e custos, além de promover a transformação digital em saúde e educação.


Por Esfera Brasil

O governo divulgou recentemente um decreto definindo termos da Estratégia Nacional de Governo Digital para o período de 2024 a 2027, na direção da consolidação do sistema formado pela rede digital que nos últimos anos ficou conhecida como “gov.br”, para estados e municípios.

Um dos carros-chefes nesse processo é a popularização da Carteira de Identidade Nacional. Criado a partir de parâmetros rígidos de segurança da informação, o documento, que já chegou a cinco milhões de emissões, tem potencial para reduzir fraudes e reduzir custos de emissão. A carteira utiliza o Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) como número único para todas as unidades da federação. A padronização facilita a estruturação de cadastros em programas do governo e amplia verificações de Segurança Pública.

Composto de dez grandes objetivos, o plano possui um conjunto de orientações e recomendações para estados e municípios adotarem suas próprias diretrizes em relação à esfera digital. A responsabilidade de condução dessa política é do Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGISP). E entre as prioridades estão o desenvolvimento de ações de capacitação para servidores públicos em temáticas de inovação, de governo digital e de governo aberto; e a adoção de práticas de transformação digital nas áreas de saúde e educação, com apoio ao compartilhamento seguro de dados entre diferentes órgãos da administração pública.

“Os municípios, no máximo, têm um plano de TI [Tecnologia da Informação]. E a gente fez uma estratégia, que é a Estratégia da Estratégia, como a gente chama, para que todos possam caminhar juntos com o governo federal, na mesma direção. Se a gente não conseguir trazer o Brasil inteiro nessa estratégia, todo mundo caminhando na mesma direção, a gente não vai conseguir prover à população os ganhos que essa estratégia pode ter”, afirmou a ministra Esther Dweck.

Adesão voluntária

Segundo o decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela ministra Dweck, a adesão dos entes federativos será voluntária. Estados, municípios e Distrito Federal que decidirem integrar a rede digital devem difundir suas experiências de políticas públicas e compartilhar informações sobre o avanço na implementação da estratégia.

No último ano, o governo federal promoveu uma série de oficinas presenciais nas cinco regiões do País, além de eventos remotos para ampliar o debate nos entes federativos com organizações da sociedade civil, instituições privadas e também empresas públicas de tecnologia.

“O digital hoje está na vida de todas as empresas e não é diferente no âmbito do governo. A gente entende que é uma questão absolutamente transformadora. São linhas importantes conduzidas nessa pauta do digital”, apontou Rogério Mascarenhas, secretário de Governo Digital do MGISP, em entrevista concedida ao EsferaCast, durante a realização do Fórum Esfera 2024, em Guarujá.

Somos parceiros da Esfera BR, uma iniciativa independente e apartidária que fomenta o pensamento e o diálogo sobre o Brasil, um think tank que reúne empresários, empreendedores e a classe produtiva. Todas as opiniões aqui apresentadas são dos participantes do evento. O nosso posicionamento nesta iniciativa é o de ouvir todos os lados, neutro e não partidário.

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Análise Fundamentalista: a metodologia além dos gráficos

Análise Fundamentalista: a metodologia além dos gráficos

(Tempo de leitura: 7 minutos)

O que você precisa saber:
A Análise Fundamentalista avalia o valor intrínseco de uma empresa com base em seus fundamentos econômicos e financeiros, ajudando investidores a tomarem decisões informadas para o longo prazo.


Para entender a Análise Fundamentalista, podemos comparar o processo de compra de uma casa ou apartamento. Antes de fechar o negócio, você inspeciona cada detalhe: a estrutura, o encanamento, a eletricidade, a localização e até conversa com os vizinhos para saber sobre a vizinhança. Essa investigação cuidadosa é essencial para garantir que você está fazendo um bom investimento. Da mesma forma, acontece com essa metodologia, que envolve uma análise detalhada dos “alicerces” de uma empresa para determinar se vale a pena investir nela.

O que é a Análise Fundamentalista?

A Análise Fundamentalista é uma metodologia utilizada por investidores para avaliar o valor intrínseco de uma empresa. Diferentemente da Análise Técnica, que se baseia em gráficos e padrões de preço, esse modelo foca nos fundamentos econômicos e financeiros da empresa.

Como funciona a Análise Fundamentalista?

A Análise Fundamentalista pode ser dividida em quatro passos principais:

  1. Análise Macro e Microeconômica: analisar o ambiente macroeconômico (economia global e nacional) e o setor em que a empresa opera.
  2. Análise Qualitativa: entender as pessoas por trás da empresa, quem são os sócios e o que eles fizeram no passado, avaliar a diretoria que toca a operação no dia a dia e como funciona o alinhamento deles com os acionistas. Além disso, buscamos aqui avaliar quais são as vantagens competitivas da companhia em relação a seus pares.
  3. Análise Financeira: aqui, envolve examinar os relatórios financeiros para entender a saúde, lucratividade e estabilidade da empresa.
  4. Valuation: finalmente, usam-se técnicas como o fluxo de caixa descontado para projetar os fluxos de caixa futuros e descontá-los ao valor presente. Se o valor intrínseco encontrado for maior que o preço de mercado, a ação pode estar subvalorizada e ser uma boa compra.

Dentre esses passos, alguns componentes são importantes ao utilizar essa metodologia:

  • Demonstrativos Financeiros:
    • Balanço Patrimonial: apresenta os ativos (o que a empresa possui), os passivos (suas dívidas) e o patrimônio líquido (a diferença entre ativos e passivos);
    • Demonstração de Resultados: avalia o desempenho da empresa ao longo do tempo, passando por receitas, custos, despesas e lucros;
    • Demonstração de Fluxo de Caixa: acompanha o dinheiro que entra e sai da empresa, essencial para entender sua liquidez.
  • Indicadores Financeiros:
    • P/L (Preço/Lucro): relação entre o preço da ação e o lucro por ação. Indica quanto os investidores estão dispostos a pagar por cada real de lucro;
    • ROE (Retorno sobre Patrimônio Líquido): mede a rentabilidade dos recursos próprios da empresa. Um ROE alto geralmente é um bom sinal;
    • Dívida/Patrimônio Líquido: avalia o grau de endividamento da empresa. 

Análise Fundamentalista x Análise Técnica

Cada uma dessas metodologias oferece uma perspectiva única sobre como avaliar e selecionar ativos financeiros. Por exemplo, enquanto a abordagem da Análise Técnica utiliza gráficos e padrões de preço, a Análise Fundamentalista examina os demonstrativos financeiros, indicadores econômicos, gestão da empresa e o setor de atuação. 

Além da abordagem, há outros fundamentos principais que diferenciam essas duas metodologias.

1. Horizonte de Tempo

A Análise Fundamentalista é geralmente aplicada para investimentos de longo prazo, para os investidores que estão olhando empresas que tenham um bom desempenho sustentado ao longo do tempo. Já a Análise Técnica é muito utilizada pelos traders que procuram aproveitar movimentos de preços de curto a médio prazo para obter ganhos rápidos.

2. Ferramentas e Indicadores

Enquanto a Análise Técnica utiliza gráficos de preços (candlestick, linha, barra) e volume de negociação, o modelo fundamentalista mergulha no DNA da empresa, analisando o balanço patrimonial, demonstração de resultados, demonstração de fluxo de caixa e relatórios de análise de mercado.

3. Dados Utilizados

Nesse quesito, a Análise Técnica tem como característica se basear em dados do mercado, como preços e volumes de negociação. Os investidores que utilizam essa metodologia acreditam que as informações necessárias para a tomada de decisão estão refletidas nos gráficos. A Análise Fundamentalista, por outro lado, é baseada em dados quantificáveis e qualitativos. A partir do estudo de dados financeiros e econômicos da empresa, assim como notícias relevantes e informações sobre o setor e a economia global.

Por que usar a Análise Fundamentalista?

Investir com base em fundamentos ajuda a tomar decisões mais informadas e menos sujeitas a flutuações de curto prazo no mercado. Ela exige tempo e conhecimento. Contudo, também tem a capacidade de oferecer insights que ajudarão a encontrar oportunidades de investimentos que possam passar despercebidas.

Na Portofino, contamos com um time de gestão robusto, experiente e complementar, onde todas as decisões de investimento são tomadas de forma colegiada em diferentes e recorrentes comitês, garantindo uma abordagem equilibrada e bem fundamentada. 

Todas as nossas decisões de investimento passam por um rigoroso processo de escolha, buscando sempre um equilíbrio entre potencial de crescimento e sustentabilidade financeira. Analisamos relatórios detalhados fornecidos por nossos bancos parceiros, realizamos uma avaliação de risco própria e submetemos ao comitê para aprovação. 


Este texto tem fins informativos e educacionais e não constitui uma recomendação de investimento. Nenhuma estratégia de investimento, incluindo a análise fundamentalista ou técnica, garante retornos positivos ou evita perdas. As abordagens discutidas devem ser adaptadas às circunstâncias individuais de cada investidor. É importante que cada investidor realize sua própria pesquisa e considere seus objetivos, tolerância ao risco e situação financeira antes de tomar decisões de investimento.

Juro real: de olho no impacto dos seus investimentos

Juro real: de olho no impacto dos seus investimentos

(Tempo de leitura: 5 minutos)

O que você precisa saber:
O juro real, que considera a inflação, é essencial para avaliar o verdadeiro ganho de poder de compra de um investimento. Essa taxa é extremamente importante para os investidores ao realizar um investimento.


Juros e inflação são temas que estão sob os holofotes dos investidores nos últimos tempos. E no meio desses dois conceitos, há um extremamente importante para os investimentos: o juro real. Apesar da relevância para os investimentos, muitos investidores ainda possuem dúvidas ou até mesmo não consideram essa informação ao realizar aplicações financeiras.

O juro real nada mais é do que o quanto você realmente ganha ou perde em um investimento, após considerar a inflação do período, diferentemente do juro nominal, que não considera a inflação. A sua importância se dá porque ela mostra o – real – ganho de poder de compra ao longo do tempo. 

Imagine que você tem uma poupança que paga 10% ao ano (esse é o juro nominal). Mas durante esse ano, os preços das coisas que você compra aumentam em 4% (essa é a inflação). Mesmo que pareça que você ganhou 10%, na verdade, você não ficou 10% mais rico porque as coisas ficaram 4% mais caras. O ganho real, o que realmente aumenta o seu poder de compra, é menor.

Para encontrar o juro real, você subtrai a inflação do juro nominal, mas de uma maneira um pouco mais precisa, usando uma fórmula. No exemplo:

  1. A taxa de juro nominal é 10%.
  2. A inflação é 4%.

O cálculo simplificado seria algo assim:

Juro Real ≈ Juro Nominal − Inflação = 10% − 4% = 6%

Então, no final, seu ganho real seria aproximadamente de 6%, o que representa o quanto sua poupança realmente cresceu após considerar o aumento dos preços. Esse valor final baliza qual o ganho ou a perda real de determinado investimento ao longo do tempo.

Taxa Selic e juro real são o mesmo?

Não. A Selic representa a taxa de juros básica do país, definida pelo Banco Central, e é a principal ferramenta de combate à inflação. Além disso, ela baliza as demais taxas de juros do mercado e serve como referência para inúmeros investimentos. 

A principal diferença entre elas é que a Selic não considera o impacto da inflação, enquanto o juro real representa o retorno ajustado pela inflação.

Na última reunião do Copom, o Banco Central do Brasil optou por interromper a sequência de sete cortes seguidos na taxa básica de juros, no patamar de 10,50% ao ano. Neste cenário atual de juro nominal e inflação, o juro real está em 7,17% nos últimos 12 meses, sendo um dos maiores do mundo.

Mas o que significa para um país ter juro real alto?

Países com juro real alto tendem a atrair investimento estrangeiro, já que investidores direcionam recursos para onde os retornos reais são maiores, o que pode fortalecer a moeda local e aumentar as reservas internacionais. Por outro lado, esse cenário também pode desacelerar o crescimento econômico, aumentar a dívida pública e ter impactos sociais negativos, assim como afetar as expectativas de mercado e a confiança dos investidores na política econômica do país. 

Entender o conceito de juro real é fundamental para qualquer investidor que deseja tomar decisões financeiras informadas. Enquanto o juro nominal pode parecer atrativo à primeira vista, é o juro real que revela o verdadeiro aumento do poder de compra proporcionado por um investimento, após ajustar os efeitos da inflação, assim como influenciar e incentivar a aplicação em investimentos mais arriscados ou conservadores.

Aqui, na Portofino, temos uma equipe de gestão robusta, experiente e complementar para “proteger e ampliar o patrimônio de pessoas, famílias e empresas, de forma sustentável e multigeracional”, sempre trabalhando de forma dinâmica e buscando soluções personalizadas. 

Neste cenário econômico global, o nosso time avalia e desenha estratégias diversificadas, de forma colegiada, em diferentes e recorrentes comitês, para cada investidor e seus respectivos perfis e objetivos, considerando todos aspectos que podem impactar no retorno de seus investimentos e na perpetuação de seus patrimônios.

Para os investidores, é crucial não apenas observar as taxas de juros nominais, mas entender como a inflação impacta esses retornos. Assim, podem avaliar com precisão os reais benefícios e riscos dos seus investimentos, garantindo que suas decisões estejam alinhadas com a preservação e crescimento do poder de compra ao longo do tempo.

*Dados referentes a 17/07/2024

O guru de Warren Buffett: o que aprender com Benjamin Graham

O guru de Warren Buffett: o que aprender com Benjamin Graham

(Tempo de leitura: 7 minutos)

O que você precisa saber:
Benjamin Graham, o pai do “value investing” e da “security analysis”, é uma figura fundamental para o sucesso de investimentos a longo prazo. Warren Buffett, um dos investidores mais bem-sucedidos, é um grande seguidor das teorias de Graham.


As ideias propostas por Benjamin Graham são atemporais e essenciais para quem deseja alcançar o sucesso no longo prazo. Talvez você nunca tenha ouvido falar nele, mas saiba que as mais importantes teorias modernas de investimentos derivaram dos seus princípios. Warren Buffett é a prova viva da validade delas.

Tido internacionalmente como um dos mais bem sucedidos investidores do século XXI, Buffett, curiosamente, considera Graham como o grande investidor de todos os tempos. Conhecido como o pai do conceito de Valor (value investing) e da análise de risco (security analysis), Graham amparou sua filosofia vencedora em 3 principais preceitos que busco hoje dividir com vocês.

(Fonte: http://financialhaze.com/benjamin-graham-and-the-art-of-value-investing/)

1. “Sempre invista considerando uma margem de segurança”

Este princípio pressupõe que, ao comprar um ativo, devemos adquiri-lo com significativo desconto no seu valor intrínseco, de modo a obter uma margem de segurança que ofereça conforto em momentos de baixa.

O grande diferencial nesse conceito é que, para ele, o foco não deve estar somente em procurar barganhas, mas também oportunidades que tenham possibilidade de alto retorno, combinadas com baixo risco de desvalorização. Ou seja, uma posição ideal pressupõe baixo investimento inicial e ativos subavaliados.

Para Graham, estabilidade de ganhos e disponibilidade financeira são fatores essenciais para configurar um bom negócio. O investimento em empresas com valor de mercado inferior ao valor dos seus ativos, deduzidos de dívidas, seriam um investimento clássico amparado no preceito de margem de segurança. Afinal, se o mercado inevitavelmente reavalia preço, mais cedo ou mais tarde o valor dessa companhia será ajustado de modo a convergir para o seu valor justo.  

2. Entender a importância e as implicações do fator “Risco”

Segundo ele, o investidor deve esperar volatilidade da mesma maneira que lucro nos seus portfólios. Investimento em ações pressupõe volatilidade. Um investidor inteligente vê momentos de stress como a oportunidade perfeita para ir às compras. Graham, para facilitar o entendimento desse conceito, apresenta o seu sócio imaginário, o “Sr. Mercado”.

O Sr. Mercado oferece aos investidores diariamente precificações, de modo que cada um decida por comprar ou vender. Às vezes, ele poderá estar otimista com relação às perspectivas futuras do negócio e tenderá a pagar mais caro pela companhia; em outros momentos, todavia, poderá estar pessimista, o que refletirá em uma precificação mais baixa.

Enfim, a lição a ser tomada é a de que o mercado não pode ditar nossas decisões de investimento. Movimentos de mercado, principalmente aqueles que são bruscos, para cima ou para baixo, podem gerar decisões amparadas em emoções, o que pode ser fatal para uma carteira de investimentos.

Graham sugere, então, que, antes de fazer qualquer investimento, devemos estabelecer nossa própria estimativa de valor para uma empresa. O racional por trás disso é o de sempre amparar decisões em preceitos racionais e fatos. Sendo assim, só devemos comprar quando o preço oferecido pelo mercado vá ao encontro ao valor que estimamos, e, por outro lado, vender quando o preço estiver acima do que consideramos justo.

Em suma, o mercado vai flutuar – por vezes de maneira insana – mas, melhor do que temer a volatilidade, é usá-la como vantagem para a compra de barganhas ou realização de lucros e, para tanto, manter a racionalidade é fundamental.

De acordo com Graham, existem 2 maneiras de mitigar os efeitos negativos da volatilidade do mercado: preço médio e diversificação. Se o investidor, disciplinadamente, for comprando em igual montante de valor e em intervalos de tempo regulares, dificilmente cairá na armadilha de ter comprado todo o seu portfólio pelo valor mais caro, ou como no jargão de mercado chamamos de “comprar na máxima”. Sendo assim, inexiste a necessidade de arbitrar o momento mais favorável à montagem de posições.

Outra estratégia que sugere é a diversificação. Segundo sua teoria, misturar ativos de risco com conservadores em uma carteira de investimentos é fundamental para a preservação de capital em mercados de baixa.

3. Perfil de Investimentos

Segundo Graham, o autoconhecimento também é fator fundamental para o sucesso nos investimentos. Para ele, o investidor tem 2 opções: a primeira é de comprometer tempo e energia para se tornar um bom investidor de modo a atingir retornos superiores ao mercado – este seria o ativo -; a segunda é de assumir uma postura passiva e, possivelmente, contentar-se com retornos inferiores, mas com menos dispêndio de tempo e trabalho.

O fato é que, para Graham, o resultado está diretamente relacionado à intensidade de trabalho. Quanto mais tempo despendido, maiores retornos serão atingidos. No caso do investidor não ter tempo ou vocação para se aprofundar nos seus investimentos, sugere que busque aplicar diretamente em índices ou em carteiras que replicam índices. “Trata-se da melhor alternativa ao investidor passivo, por garantir um retorno médio favorável, sem demandar dedicação”. De maneira resumida, o investidor passivo deve buscar montar estratégias que vislumbrem o longo prazo, sem tentar prever ou se antecipar aos movimentos do mercado.

Uma segunda classificação seria Especulador versus Investidor. Segundo Graham, nem todas as pessoas do mercado são efetivos investidores. Mas o que diferencia um do outro? Simples, o investidor seria aquela pessoa que se considera sócio da empresa em que investe seu dinheiro. O especulador, por outro lado, vê ações como papéis sem valor intrínseco e, por essa razão, entende que seu valor é determinado pelo montante que alguém está disposto a pagar. Parafraseando Graham, existem investidores inteligentes, assim como especuladores inteligentes. A questão é você entender “em qual time você joga”. O grande erro é pensar como investidor e agir como especulador.

Todos os princípios sugeridos por Graham são, de certa forma, de fácil entendimento e execução. A pergunta que fica é: seguindo os preceitos à risca me tornarei Warren Buffett? Difícil de prever e, sinceramente, provável que não, mas, dado o potencial de ganho, não custa tentar, não acha? O fato é que trazer os ensinamentos de Graham para sua vida representará um divisor de águas para os seus investimentos.


O conteúdo apresentado neste texto é apenas para fins informativos e educativos. Não constitui uma recomendação de investimento ou uma orientação financeira. Consulte sempre um consultor financeiro qualificado antes de tomar qualquer decisão de investimento.