O espetáculo do Super Bowl une esporte, negócios e cultura

O espetáculo do Super Bowl une esporte, negócios e cultura

(Tempo de leitura: 5 minutos)

O que você precisa saber:
O domingo de Super Bowl é um dia muito esperado pelos amantes do esporte. Mas o evento não é apenas o jogo: o espetáculo vai muito além da bola oval.


Muito mais do que um jogo de futebol americano: business. É dessa forma que muitas pessoas definem o Super Bowl – a grande final da temporada do futebol americano. E este ano o confronto será entre o atual bicampeão Kansas City Chiefs e o Philadelphia Eagles, no Superdome, estádio do New Orleans Saints, em Louisiana.

Quando falamos em Super Bowl, além do jogo, da estratégia e de quem será campeão, os números que envolvem esse evento também ganham repercussão. E não é à toa que é considerado o maior evento esportivo dos Estados Unidos. A expectativa é que a edição deste ano, a 59ª, bata – novamente – o recorde de audiência, superando as quase 124 milhões de pessoas que assistiram o Kansas City vencer o San Francisco 49ers no jogo do ano passado.

Para esse domingo, há algumas particularidades para que a audiência cresça ainda mais. A primeira delas é que a final deste ano será uma reedição de 2023, quando os Chiefs venceram por 38 a 35. Depois, é que Tom Brady está de volta ao Super Bowl. Mas não é como você está pensando: o maior campeão – são 7 títulos – estará como comentarista na transmissão. E, a terceira, poderemos ver algo inédito: o Kansas City Chiefs busca ser o primeiro time tricampeão seguido. A dominância da equipe é algo pouco visto na história do futebol americano. Sem contar com essa edição, a franquia do Missouri participou de quatro dos últimos cinco Super Bowls, e venceu três deles. A única derrota? Para o Tampa Bay Buccaneers, em 2021, que tinha Tom Brady como quarterback.

Como dito anteriormente, o Super Bowl é um negócio, e não tem ninguém no mundo que saiba transformar seus eventos esportivos em espetáculos tão bem como os americanos. A consequência disso é transformar o comercial do evento no mais caro da indústria. Após ficar congelado em US$ 7 milhões nos últimos anos, o preço do comercial de 30 segundos subiu para US$ 8 milhões, com as principais propagandas sendo relacionadas à inteligência artificial e ao setor farmacêutico.

O Super Bowl também é dos artistas

Além do público fã de NFL (Liga Nacional de Futebol Americano, na tradução em português), o Super Bowl atrai quem também é alheio ao esporte durante a temporada. Isso acontece devido ao show do intervalo, que sempre recebe grandes cantores internacionais. Nesta edição, a responsabilidade de agitar a torcida durante 15 a 20 minutos no intervalo será do rapper Kendrick Lamar, no auge da carreira, que acabou de ser o maior vencedor do Grammy. 

Em geral, o show do intervalo é considerado uma vitrine para os artistas. A grande curiosidade é que os cantores convidados não são pagos pelo show. Apesar da NFL pagar por toda a estrutura do espetáculo, a justificativa para essa política é toda a visibilidade que o evento proporciona aos artistas. 

Para se ter ideia, segundo dados do Apex Marketing Group, após Usher se apresentar no Super Bowl, o cantor faturou cerca de US$ 52 milhões com vendas de ingressos, streams e novos contratos. 

Além das cifras e números, os shows também guardam um lugar afetivo para muitos fãs. Quem não lembra do show de Michael Jackson em 1993, considerado por muitos o maior da história. Ou, recentemente, em 2022, o show que reuniu os principais nomes do rap americano, criando uma nostalgia com o visual e artistas dos anos 90 e início dos 2000.

O Super Bowl, além de ser um marco esportivo, se destaca como um espetáculo cultural e econômico que transcende as quatro linhas do campo. A combinação entre um jogo de alto nível, performances de grandes artistas e a visibilidade sem precedentes para marcas e produtos cria uma experiência única. Mais do que um evento anual, ele se consolidou como um símbolo de entretenimento global, onde a paixão pelo esporte e o poder dos negócios caminham lado a lado, encantando milhões de espectadores em todo o mundo.

Nos EUA, mercado aposta que boa parte do discurso de Trump é bravata e que bom senso prevalecerá

Nos EUA, mercado aposta que boa parte do discurso de Trump é bravata e que bom senso prevalecerá

Miriam Leitão – O Globo

Leia a matéria completa, direto no O Globo, clicando aqui.

O presidente Donald Trump está surpreendendo a todos com a velocidade e a agressividade das medidas que vem anunciando nas suas duas primeiras semanas de governo, levando analistas a preverem inflação e juros mais altos nos EUA e uma desaceleração da economia mundial diante de uma possível guerra comercial global. O mercado americano, no entanto, continua confiante no novo governo e nos efeitos positivos que pode ter sobre a economia americana. E a razão é simples: eles acreditam que muito do que Trump fala é bravata e que, no fim, o bom senso vai prevalecer, diz Adriano Cantreva, sócio da Portofino Multi Family Office, que atua em Nova York, de onde há mais de 30 anos acompanha os movimentos do mercado global.

-É a estratégia negocial de Trump, ele vai com tudo ou não vai ter o efeito que deseja. Alguma coisa do que vem ameaçando, por exemplo, em relação às tarifas, será implementada. Mas ele sabe que, se fizer tudo como anunciou, vai ter efeito na economia americana, piora nos indicadores, no desemprego e ele não quer isso. Todos os países estão jogando xadrez, aguardando o movimento do outro, foi assim com Canadá e México e também está acontecendo com a China. Radicalizar e derrubar o tabuleiro não é bom para ninguém, por isso acho que o bom senso vai prevalecer. Ele radicaliza mais no discurso que, na prática, foi assim no primeiro governo, e será assim nos próximos quatro anos – avalia Cantreva.

A visão otimista do mercado, explica o analista, vem da perspectiva de desregulamentação da economia, o que acredita aumentará os investimentos privados:

-A economia americana vai bem, mas muito estimulada pelo investimento público, desde a pandemia. Com a desregulamentação prometida por Trump, em setores como energia, meio ambiente e no órgão correspondente ao Cade brasileiro, a avaliação é que haverá mais movimentação do capital privado, empurrando os negócios para frente. Todo esse movimento só terá reflexo no segundo semestre. Até aqui, o governo tem feito movimentos em direções conflitantes, não se sabe ao certo qual vai prevalecer, mas acreditamos que, se der errado, ele vai dar um passo atrás.

Cantreva diz que a economia americana continua a ser a “grande locomotiva do mundo”, ainda mais diante do arrefecimento do mercado na China, o que dá força a Trump na negociação.

-Ele tem as cartas na mão. Canadá e México podem até procurar outros parceiros, mas nenhum oferece o que os EUA podem dar. E no fim, acaba saindo barato o acordo feito até agora para eles. Em lugar da tarifa, o governo mexicano vai colocar dez mil homens da guarda nacional na fronteira. A ação do governo canadense vai custar US$ 1,3 bi.

DeepSeek e a China desafiam as big techs americanas na corrida pela IA

DeepSeek e a China desafiam as big techs americanas na corrida pela IA

(Tempo de leitura: 6 minutos)

O que você precisa saber:
A startup chinesa DeepSeek desenvolveu um modelo de IA semelhante aos das big techs americanas, mas com um custo muito menor, levantando preocupações nos EUA sobre o avanço da China no setor.


A preocupação dos Estados Unidos com os avanços tecnológicos na China é uma dor de cabeça que tira o sono do governo americano há alguns anos. Entretanto, os esforços para evitar que os chineses tenham acesso às tecnologias de ponta do ocidente parecem não  surtir efeito – e podem até mesmo ter criado um efeito contrário.

A startup DeepSeek é a prova de que a China está mais avançada no campo da inteligência artificial do que os Estados Unidos acreditavam. Na última semana, a empresa chinesa de inteligência artificial, fundada em 2023 por Liang Wenfeng, chamou a atenção ao desenvolver um modelo de IA com desempenho similar ao ChatGPT (OpenAI), o Gemini (Google) e o Llama (Meta), mas com um custo muito menor. O aplicativo móvel foi baixado 1,6 milhão de vezes até 25 de janeiro e ficou em primeiro lugar na App Store na Austrália, Canadá, EUA, China, Cingapura e Reino Unido.

O modelo DeepSeek-R1, além de ser gratuito e open-source (código aberto, em português), permitindo que qualquer empresa ou pesquisador use a tecnologia para criar suas próprias soluções, superou seus concorrentes da Meta e da OpenAI em tarefas como codificação e matemática. 

O maior destaque, entretanto, é que o chatbot chinês conseguiu se igualar, ou chegar próximo das big techs americanas, sem ter acesso às principais tecnologias do mundo e com um custo muito menor. Os modelos GPT-4, da OpenAI, e o Llama 3.1, da Meta, foram produzidos por mais de US$ 60 milhões, já o R1 teve um custo menor que US$ 6 milhões.

O choque da DeepSeek na terra do Tio Sam

A guerra comercial entre as duas grandes potências mundiais se acirrou nos últimos anos com o advento da inteligência artificial e os chips semicondutores. Os acontecimentos da última semana servem como aviso aos Estados Unidos: a China não está mais tão distante no desenvolvimento da inteligência artificial, mesmo com a restrição americana de exportação de semicondutores ao país asiático. Além de chatbots e aplicativos, o avanço chinês também representa uma ameaça a outros campos, como o militar.

O choque foi grande para as big techs, especialmente a NVIDIA. As empresas do Vale do Silício tiveram quedas relevantes na segunda-feira (27): 

  • NVIDIA: -17%. A gigante de tecnologia havia acumulado uma alta de 482% de alta desde 2022 com a explosão da IA, o que a levou ao posto de empresa mais valiosa do mundo. Contudo, a queda do dia 27, a maior em um único dia, foi de quase US$ 600 bilhões em valor de mercado, equivalente a 7 Petrobrás ou 14 Vales.
  • Microsoft: -7%
  • Meta: -5%

As quedas são consequência da preocupação de que os modelos de IA possam ser desenvolvidos com maior eficiência e com menos gastos, assim reduzindo a demanda pelos materiais desenvolvidos pela NVIDIA. Além disso, o avanço da DeepSeek pode servir como um alerta para que as empresas do setor repensem os aportes feitos para o desenvolvimento de tecnologia. Recentemente, a OpenAI, a Oracle e o SoftBank anunciaram uma joint venture, a Stargate, para investir US$ 500 bilhões nos próximos quatro anos em infraestrutura de inteligência artificial.

Mas nem tudo é perfeito…

O aplicativo chinês mostrou fraquezas, como, por exemplo, a autocensura. Em temas considerados sensíveis para a China, usuários apontaram que a ferramenta evita responder perguntas polêmicas, como os protestos da Praça da Paz em 1989 e dar respostas detalhadas sobre o presidente chinês Xi Jinping.

Na quinta-feira (29/1), a OpenAI alegou que a DeepSeek usou dados do ChatGPT para treinar seu chatbot, sem dar mais detalhes sobre o caso.

Além disso, as políticas de como a empresa lida com os dados dos usuários geram desconfianças contra a DeepSeek. A Autoridade Italiana de Proteção de Dados, com o receio de informações pessoais de italianos serem armazenadas na China, determinou a retirada do aplicativo das lojas virtuais da Apple e do Google. A Itália é um dos países mais atuantes e preocupados com a proteção de dados de seus cidadãos.

A corrida pelo protagonismo global em IA envolve dois protagonistas: China e Estados Unidos. A cada novo avanço, como o feito pela DeepSeek, fica evidente que a competição entre as duas potências está mais acirrada do que nunca. Enquanto os EUA tentam frear o crescimento chinês com restrições e barreiras tecnológicas, a China segue mostrando sua capacidade de inovação e adaptação, mesmo com recursos mais limitados. O desenvolvimento de IA será um dos pilares para determinar e moldar importantes questões futuras da geopolítica global.

O – primeiro – grande dia de Gabriel Galípolo chegou

O – primeiro – grande dia de Gabriel Galípolo chegou

(tempo de leitura: 3 minutos)

O que você precisa saber:
Gabriel Galípolo assumiu a presidência do Banco Central e terá o seu primeiro grande dia. Assim como hoje, Galípolo estará no centro dos holofotes por muito tempo.


Gabriel Galípolo começou 2025 como o novo presidente do Banco Central, e o dia do seu primeiro grande teste no cargo chegou. Será a sua estreia na decisão de juros como líder da autoridade monetária, o que certamente o colocará novamente no centro dos debates econômicos.

Galípolo iniciou sua trajetória no governo Lula como secretário-executivo do Ministério da Fazenda e chamou rapidamente a atenção. Seu desempenho agradou tanto que, em pouco tempo, foi nomeado diretor de política monetária do Banco Central, pavimentando seu caminho para a presidência da instituição.

Apesar de sua boa relação com Lula e o ministro Haddad, sua indicação foi recebida com desconfiança inicial. A principal preocupação girava em torno de como Galípolo atuaria em um Banco Central independente, dado seu vínculo próximo com o Executivo. Esse receio foi amplificado pelas críticas de Lula a Roberto Campos Neto, que mantinha a Selic elevada, e por declarações que sugeriam uma possível interferência na política monetária.

O maior sinal de alerta surgiu em maio, quando a taxa básica de juros foi reduzida de 10,75% para 10,50%. Na ocasião, Galípolo votou por um corte de 0,50 p.p., enquanto Campos Neto preferia uma redução de 0,25 p.p. Essa divergência levantou questionamentos no mercado sobre se, como presidente, Galípolo seria mais flexível em relação à situação fiscal e às metas de inflação, cedendo à pressão política.

No entanto, tanto Galípolo quanto Lula reiteraram que ele teria plena autonomia no cargo. Além disso, nas reuniões subsequentes, ficou claro que suas decisões seguiram critérios técnicos. Apesar da desconfiança inicial, os indicados de Lula na diretoria só divergiram de Campos Neto uma única vez – no episódio mencionado.

A última reunião de 2024 – e também a última de Campos Neto como presidente do BC – resultou em um aumento de 1 ponto percentual nos juros, com previsão de mais dois aumentos da mesma magnitude nas reuniões seguintes. A expectativa é que a taxa de juros alcance 14,25% em março, o que traz um desafio ainda maior para Galípolo. Os juros elevados podem dificultar o crescimento econômico esperado para os próximos anos, aumentando a pressão sobre o governo, especialmente em um cenário que antecipa uma possível corrida pela reeleição de Lula, enquanto o Banco Central tenta conter a inflação que entra em 2025 em alta, após estourar o teto da meta no ano anterior.

Assim, Galípolo assume o comando do Banco Central com o apoio do governo e a promessa de autonomia para conduzir a política monetária. Sua atuação será acompanhada de perto, com a expectativa de que suas decisões sejam sempre baseadas em critérios técnicos.

Hamilton e Ferrari: unidos pela história

Hamilton e Ferrari: unidos pela história

(Tempo de leitura 4 minutos)

O que você precisa saber:
Lewis Hamilton realizou seu sonho de criança: agora ele é um piloto da Ferrari! Neste texto, você vai entender o quão impactante e quanta história há por trás dessa união.


Há momentos no esporte que parecem esculpidos pela própria mão do destino. E quando se olha para a história da Fórmula 1, não é difícil imaginar que Lewis Hamilton sempre esteve predestinado a vestir o vermelho da Ferrari. Por anos, o britânico dominou circuitos ao redor do mundo, pilotando com maestria carros formidáveis. Um piloto de velocidade, de instinto afiado, capaz de domar qualquer máquina que lhe fosse confiada. Mas, embora seus feitos fossem lendários, lhe faltava algo – dominar o desafiador e prestigiado Cavalo Rampante.

Agora, o mundo testemunha esse encontro. Com direito a um anúncio que parou as redes sociais, o piloto, que conquistou todas as batalhas possíveis, encontra-se frente a frente com o Cavalo Rampante de Maranello, símbolo de tradição, glória e de uma paixão que arde em vermelho vivo. Um cavalo que muitos tentaram domar, mas poucos conseguiram extrair sua verdadeira força. Hamilton finalmente segura as rédeas daquele que sempre foi visto como o desafio definitivo.

Curiosamente, o maior ídolo de Lewis não teve o seu sonho realizado em pilotar para os italianos. Ao que tudo indica, o brasileiro Ayrton Senna, antes de sua trágica morte em Ímola, estava a poucas voltas de realizar esse sonho. Em uma revelação feita por Luca di Montezemolo, então presidente da Ferrari, Senna teria expressado em um jantar, apenas quatro dias antes de seu falecimento, o desejo de encerrar sua carreira com a scuderia. 

Ele sonhava em ser campeão mundial com a Ferrari, vestindo o icônico macacão vermelho e levando os ferraristas de volta ao topo. Alguns boatos ainda vão mais afundo e dizem que, antes do acidente, Senna teria assinado um contrato com a Ferrari, guardado em segredo em um cofre em Maranello. Esse mistério, ainda envolto em rumores, alimenta o imaginário dos fãs de automobilismo que sonham com o que poderia ter sido: Senna vestindo o macacão vermelho e lutando por mais glórias na marca italiana.

Hamilton se junta à scuderia italiana já com o posto de um dos melhores pilotos da história. Ele é dono de alguns dos recordes mais importantes da Fórmula 1: mais corridas ganhas (103), mais pole positions (104) e mais títulos (7), empatado com Michael Schumacher. Sua trajetória se assemelha com outros grandes nomes que já passaram pela fábrica de Enzo Ferrari, como Alain Prost, Fernando Alonso e Sebastian Vettel, que chegaram multicampeões, mas não conseguiram conquistar títulos pela equipe.

O britânico, contudo, busca um desfecho diferente. Ele conta com a sede e a fome dos italianos em tornar um piloto campeão, o que não acontece desde 2007, com Kimi Raikkonen. Caso Hamilton consiga o título, este terá um lugar especial na história: o maior vencedor, ganhando com a principal equipe após longos anos de seca.

A pergunta que paira no ar é simples: poderão, juntos, escrever um novo capítulo glorioso na história do automobilismo? Ser campeão pela Ferrari não é apenas vencer mais uma corrida ou levantar mais um troféu. É alcançar a imortalidade, é colocar seu nome ao lado de lendas que fizeram do Cavalo Rampante um símbolo eterno. Hamilton, um dos maiores de todos os tempos, tem agora a chance de pilotar na equipe mais mítica da Fórmula 1. Para ele, o desafio não é só técnico, é histórico. É o sonho que a maioria dos jovens pilotos carrega: vestir o macacão vermelho e acelerar uma Ferrari. Se conseguir ser campeão, Lewis será imortalizado em uma equipe cuja lenda nunca para de crescer.